Os futuros do S&P 500 hoje operavam próximos da estabilidade nesta terça-feira, enquanto o Bitcoin tentava recuperar parte das perdas recentes em meio à cautela dos investidores. O mercado segue dividido entre as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, o início da temporada de balanços corporativos e a divulgação dos dados de inflação dos EUA, fatores que podem definir o humor dos investidores ao longo do pregão.
Antes da abertura de Wall Street, os contratos futuros do S&P 500 recuavam 0,20%, para 7.547,50 pontos. Os futuros do Dow Jones Industrial Average caíam 0,19%, aos 52.663 pontos, enquanto os contratos do Nasdaq 100 cediam 0,35%, para 29.373 pontos. Já os futuros do Russell 2000 registravam baixa de 0,28%, para 2.962,10 pontos.
O sentimento de cautela também era percebido no mercado de volatilidade. O VIX, conhecido como o índice do medo de Wall Street, avançava 14,17%, para 17,16 pontos, indicando uma demanda maior por ativos de proteção.
Entre as commodities, o ouro subia 0,07%, cotado a US$ 4.008,40, enquanto o contrato do petróleo WTI para agosto avançava 0,92%, para US$ 78,86 por barril, sustentado pelas preocupações com possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo. No mercado de criptomoedas, o Bitcoin era negociado a US$ 62.486,17, com queda diária de 1,33%, mas buscava reduzir parte das perdas registradas após o aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
A pressão sobre os mercados ganhou força depois que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o restabelecimento de medidas relacionadas ao comércio marítimo do Irã no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
“Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim chamado porque impede apenas a entrada ou saída de navios ou clientes do Irã”, disse Trump em uma publicação no Truth Social.
A declaração elevou as preocupações sobre a oferta global de petróleo e provocou uma forte reação nos mercados. Na sessão anterior, o barril do petróleo Brent disparou mais de 9%, registrando sua maior valorização diária desde 2020.
O impacto também foi sentido nas bolsas americanas. O S&P 500 encerrou o pregão com queda de 0,8%, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,6%. O Dow Jones perdeu mais de 100 pontos, equivalente a aproximadamente 0,3%, acompanhando o movimento de aversão ao risco.
Na Ásia, os mercados apresentaram desempenho misto. O Nikkei 225, do Japão, avançou 0,15%, enquanto o Topix subiu 0,48%. Na Coreia do Sul, o Kospi registrou alta de 1,24%, mas o índice Kosdaq caiu 1,75%.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou o dia com baixa de 0,44%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,54%, enquanto o CSI 300, da China continental, iniciou a sessão praticamente estável.
Outro fator acompanhado de perto pelos investidores é o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A alta dos juros dos Treasuries ocorre em meio ao receio de que a valorização do petróleo mantenha a inflação pressionada por mais tempo.
Wall Street também inicia uma das semanas mais importantes da temporada de resultados corporativos. Antes da abertura dos mercados, JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Bank of America divulgam seus balanços, números que devem oferecer novos sinais sobre o desempenho da economia americana.
Michael Graham, diretor de pesquisa e estratégia de investimentos da Canaccord Genuity, afirmou que a queda recente das bolsas não altera a expectativa positiva para os resultados das grandes empresas de tecnologia.
“Hoje foi um dia um pouco atípico. Tudo estava meio em baixa hoje. Mas, em geral, isso não muda muito a forma como vemos a temporada de resultados. Estamos bastante otimistas em relação às grandes empresas de tecnologia em geral. Acreditamos que os resultados têm potencial de alta”, disse durante participação no programa Closing Bell: Overtime, da CNBC.
De acordo com estimativas da FactSet, os lucros das empresas que compõem o S&P 500 devem crescer 23,6% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além dos balanços, os investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho, um dos principais indicadores de inflação dos Estados Unidos. Também está prevista a participação do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em audiência no Capitólio para apresentar os tradicionais relatórios semestrais Humphrey-Hawkins sobre política monetária, evento acompanhado de perto pelos mercados financeiros e que pode influenciar as expectativas para os próximos passos da autoridade monetária.

