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Fed dos EUA mantém meta de inflação em 2%, diz Kevin Warsh em novo recado ao mercado

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Fed dos EUA mantém meta de inflação em 2%, diz Kevin Warsh em novo recado ao mercado
Fonte: Blue Arauz/Pexels — Fed dos EUA mantém meta de inflação em 2%, diz Kevin Warsh em novo recado ao mercado

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, voltou a reforçar que o banco central dos Estados Unidos não pretende flexibilizar sua meta de inflação. Durante participação no fórum anual do Banco Central Europeu, realizado em Sintra, Portugal, o dirigente afirmou que a instituição continuará comprometida em levar a inflação de volta ao objetivo de 2%, sinalizando ao mercado que a política monetária permanecerá guiada pela estabilidade de preços.

Em sua fala, Warsh destacou que o aumento do custo de vida continua sendo uma preocupação para consumidores e empresas. Segundo ele, não existe espaço para que investidores ou agentes econômicos interpretem que o Federal Reserve aceitará uma inflação persistentemente acima da meta estabelecida.

"Todos nós olhamos em volta e vimos que os preços estão muito altos", disse Warsh.

Na sequência, reforçou a posição da autoridade monetária ao declarar:

"Se houvesse pessoas no setor familiar, empresarial ou nos mercados financeiros que pensassem que este banco central se sentiria confortável com uma meta de inflação acima de 2%, bem, acho que ficariam desapontadas. Vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA."

Outro tema abordado foi a independência do Federal Reserve diante das pressões políticas. Questionado sobre a possibilidade de reduzir juros em resposta aos desejos do atual presidente dos EUA, Donald Trump, Warsh descartou qualquer mudança na atuação da instituição.

"Somos um banco central independente há muito tempo. Continuaremos sendo um banco central independente neste momento, e vocês não verão nenhuma mudança nisso."

O presidente do Fed também afirmou que a recente decisão da Suprema Corte envolvendo a governadora Lisa Cook reforçou a autonomia institucional do banco central, permitindo que a autoridade monetária permaneça concentrada exclusivamente em seu mandato de controlar a inflação e promover estabilidade econômica.

Apesar da firmeza sobre esses princípios, Warsh evitou antecipar qualquer indicação sobre a próxima decisão de política monetária. Segundo ele, as discussões sobre juros ocorrerão apenas durante a reunião oficial do comitê.

"Eu disse que não daria nenhuma previsão futura porque nos reuniremos em 6 semanas, mas tenho uma atualização para vocês: nossa próxima reunião será em 4 semanas."

Ele acrescentou:

"Quero que tenhamos uma boa discussão em família... Quando entrarmos naquela sala e fecharmos a porta, teremos um bom debate, mas não tenho muito mais a dizer além disso."

Os comentários acontecem enquanto indicadores de inflação permanecem acima da meta do Federal Reserve. O índice de preços ao consumidor (CPI) e o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) continuam indicando pressões inflacionárias, mesmo com alguma desaceleração nas expectativas para os próximos meses.

Warsh observou que a queda recente dos preços do petróleo ajudou a reduzir parte das preocupações, embora os conflitos geopolíticos ainda possam provocar novas oscilações no mercado de energia. Ao mesmo tempo, afirmou que a inteligência artificial já demonstra impacto sobre a demanda da economia, mas ainda é cedo para medir seus efeitos completos sobre os preços.

"Cabe ao banco central decidir se é inflacionário, se de fato se refletirá em uma gama mais ampla de bens", disse Warsh.

O dirigente também voltou a defender um balanço patrimonial menor para o Federal Reserve e reiterou que a taxa de juros deve continuar sendo o principal instrumento de política monetária.

"Sempre me impressionou que a política de taxas de juros seja a mais justa dentre o amplo espectro de ações de nossos cidadãos. A política de taxas de juros, seja para cima ou para baixo, se reflete em novas hipotecas, e a dívida do cartão de crédito se reflete nos canais de empréstimo e crédito."

Encerrando sua participação, Warsh afirmou que a produtividade da economia dos Estados Unidos apresentou melhora consistente ao longo dos últimos quatro trimestres e demonstrou otimismo quanto aos ganhos que a inteligência artificial poderá proporcionar sobre a capacidade produtiva do país.

"A história mostra que passamos de períodos de baixa produtividade para períodos de alta produtividade", disse ele. "Não há nada de significativo garantido neste momento, mas se os últimos quatro trimestres forem um indicativo, que na verdade ocorreram em grande parte antes do advento do novo avanço no que a inteligência artificial pode fazer, acho que há motivos para otimismo."

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