O S&P 500 recua 0,2% nesta segunda-feira, enquanto os investidores acompanham uma forte queda nas ações de semicondutores. O movimento interrompeu uma alta registrada no início do pregão, apoiada pela queda dos preços internacionais do petróleo.
O Nasdaq Composite também opera em baixa de 0,2%, enquanto o Dow Jones Industrial Average registra queda de 0,4%. Mais cedo, as ações chegaram a subir 143 pontos, cerca de 0,3%, antes de perderem força.
A pressão é mais evidente entre as empresas de chips. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) cai mais de 3%, ampliando as perdas registradas na sexta-feira.
A AMD recua 7%, enquanto a Teradyne perde cerca de 5%. A Micron Technology também registra queda próxima de 4%, em meio à venda generalizada de ações ligadas à fabricação de semicondutores.
As fabricantes de chips haviam iniciado o pregão em alta após a estreia expressiva da chinesa CXMT na Bolsa de Valores de Xangai. O movimento, porém, perdeu força diante das preocupações sobre competição e avanços tecnológicos na China.
“Há muita incerteza sobre o que está acontecendo com as empresas chinesas”, disse Thomas Martin, gestor sênior de portfólio e sócio da Globalt Investments, à CNBC. “Há muita concorrência e avanços tecnológicos... em mercados de produtos muito disputados.”
As ações passaram a sofrer pressão adicional após informações de que a China começou a desenvolver máquinas de litografia ultravioleta profunda, utilizadas na fabricação de semicondutores. A possibilidade aumentou as preocupações sobre a capacidade tecnológica chinesa.
A ASML, líder mundial em equipamentos para fabricação de chips, recua mais de 7% nas negociações nos Estados Unidos após a divulgação das informações.
Os investidores também avaliam os sinais de enfraquecimento das ações relacionadas à inteligência artificial. Para Martin, a distância em relação às máximas históricas registradas no fim de junho mostra que o mercado está mais cauteloso.
“Há uma enorme incerteza no mundo da tecnologia”, acrescentou Martin. “Existe muita incerteza entre os investidores sobre como isso vai se desenrolar e se eles querem realocar parte do seu dinheiro.”
Petróleo recua e muda direção das bolsas
A queda das tensões no Oriente Médio provoca forte baixa nos preços do petróleo. Os contratos futuros do Brent para setembro recuam 6,8%, para aproximadamente US$ 90,25 por barril.
O WTI, referência nos Estados Unidos, cai 6,1%, para US$ 83,83. A queda inicialmente ajudou as bolsas, mas a pressão sobre as ações de tecnologia passou a dominar as negociações.
A semana ainda reserva importantes resultados corporativos. Amazon, Apple, Meta Platforms e Microsoft divulgarão seus balanços, que poderão influenciar a percepção dos investidores sobre os gastos das grandes empresas com inteligência artificial.
Os resultados também podem afetar diretamente as fabricantes de semicondutores, beneficiadas pelo aumento dos investimentos em infraestrutura de IA.
Além disso, o Federal Reserve divulgará sua decisão mais recente sobre as taxas de juros na quarta-feira. Embora o consenso aponte para uma possível alta em setembro, o mercado também considera a possibilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual já nesta semana, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Software e semicondutores se distanciam
Outro movimento observado durante o pregão envolve a separação entre ações de software e semicondutores. O ETF iShares Expanded Tech-Software opera em alta, enquanto o iShares Semiconductor permanece em baixa.
A divergência se tornou mais frequente nos últimos meses. Os dois ETFs registraram movimentos opostos em 32 das últimas 60 sessões, o maior número acumulado desde a criação dos fundos em 2001.
A correlação móvel de 60 dias entre os ETFs também caiu para perto de zero, bem abaixo da média histórica de aproximadamente 0,75. Apesar disso, ambos acumulam alta de cerca de 7% ou mais nos últimos três meses, superando o desempenho do S&P 500 no período.

