Depois de semanas de desempenho fraco e de uma queda ao menor patamar desde 2024, o Bitcoin (BTC) engatou uma recuperação consistente e voltou ao radar do mercado.
O analista Ali Martinez destacou a virada e apontou três fatores otimistas capazes de levar o preço acima de US$ 65.000 no curto prazo.
Os três sinais técnicos que sustentam a alta
A maior criptomoeda superou recentemente os US$ 62.500, sustentada pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelo aguardado retorno das entradas em ETFs, após várias semanas dominadas por saídas.
Segundo Martinez, o gráfico de 12 horas do BTC reuniu vários sinais técnicos favoráveis, reforçando a tese de que uma alta adicional pode estar a caminho. O primeiro é o indicador Sequencial de Tom DeMark, que emitiu um sinal de compra.
No início da semana, o analista lembrou que essa métrica, no período mensal, disparou uma projeção de alta simultânea para BTC, ETH, XRP e SOL.
"Historicamente, quando vários ativos registram sinais de compra mensais simultâneos, isso indica fadiga dos vendedores e uma alta probabilidade de um fundo de mercado de longo prazo", explicou.
O segundo sinal é o Índice de Força Relativa (RSI) do BTC, que mostrou divergência de alta em relação ao preço. O terceiro é o indicador SuperTrend, que sinalizou mudança de tendência.
"Se esses indicadores combinados forem validados por meio de um volume spot sustentado, a meta imediata para o BTC está em US$ 65.400 – alinhando-se com a linha de tendência de resistência da configuração TD", concluiu.
Baleias e outros analistas reforçam o otimismo
Diversos analistas compartilham a leitura de Martinez. O usuário cyclop observou que o BTC costuma registrar ganhos de dois dígitos em julho, mesmo durante mercados de baixa.
O comportamento das baleias reforça o quadro. O usuário Max Crypto revelou que um grande investidor abriu uma posição comprada de US$ 66 milhões em BTC, com liquidação prevista caso o preço recue para US$ 59.395.
Esses investidores de maior porte raramente seguem tendências passageiras e agem com base na própria leitura de mercado. Suas movimentações tendem a estimular investidores menores a alocar novo capital em criptomoedas.
Emprego fraco nos EUA muda a aposta sobre juros
No campo macroeconômico, dados mais fracos de trabalho ajudaram o humor dos investidores. As vagas não agrícolas cresceram 57.000 em junho, bem abaixo das cerca de 114.000 projetadas, com revisões para baixo nos meses anteriores.
A surpresa negativa enfraqueceu o argumento de recuperação do mercado de trabalho americano, afirmou Kyle Rodda, analista sênior da Capital.com. A probabilidade implícita de um novo aumento de juros até o fim do ano recuou para 77%, ante cerca de 85% antes dos dados.
A taxa de desemprego caiu para 4,2%, mudança que Rodda atribuiu à queda na taxa de participação, e não a uma força real do mercado de trabalho. Para ele, o relatório trouxe sinais contraditórios e "potencialmente mais ruído do que sinal".
Fluxos de ETFs voltam ao positivo
A leitura direta para as criptomoedas apareceu primeiro nos fluxos. Os ETFs de bitcoin à vista dos EUA captaram US$ 224 milhões na quinta-feira.
Foi o primeiro resultado positivo em mais de uma semana e um sinal de que os compradores retornaram após resgates de cerca de US$ 2,4 bilhões.
Nos mercados de opções, a volatilidade implícita de curto prazo devolveu boa parte do pico da semana anterior, aliviando a tensão e acompanhando a retomada do mercado à vista, segundo analistas da QCP Capital.
Nem todos veem afrouxamento à vista
A própria QCP pondera que o dado não é um sinal claro de política monetária expansionista. Apesar do resultado fraco, os salários aceleraram, o desemprego caiu e o consumo segue aquecido.
Essa combinação lembra mais uma redução da oferta de mão de obra do que um arrefecimento da demanda, o que dá ao Fed margem para manter uma postura firme. Um presidente recém-empossado do banco central também tende a ser conservador no início para construir credibilidade, e as comunicações de Warsh seguem essa linha.
Os mercados adiaram a expectativa de corte de setembro para dezembro, mas o fluxo de vários ativos não confirma uma mudança genuína. O título do Tesouro de 10 anos seguiu estagnado perto de 4,47%, enquanto o S&P 500 fechou estável e o Nasdaq recuou.
Mercado amplo tenta se estabilizar
O arrefecimento dos receios com juros permitiu que os investidores voltassem a focar no crescimento e nos fundamentos das empresas, afirmou Daniela Hathorn, analista sênior da Capital.com.
O dólar recuou das máximas de 13 meses após os dados fracos de emprego, enquanto ouro e petróleo mostraram sinais de estabilização. Com os mercados americanos fechados na sexta-feira pelo feriado e liquidez reduzida no fim de semana prolongado, a QCP espera que a volatilidade siga em ambas as direções.

