O novo teste de um míssil balístico lançado por um submarino nuclear da China voltou a elevar a atenção sobre a segurança na região da Ásia-Pacífico. Analistas avaliam que a demonstração de capacidade militar tende a produzir um efeito contrário ao desejado por Pequim, incentivando países vizinhos a ampliar alianças de defesa e estreitar a cooperação com os Estados Unidos e parceiros regionais.
O lançamento ocorreu na segunda-feira, quando um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular disparou um míssil com uma ogiva simulada em direção a águas internacionais do Oceano Pacífico. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o projétil atingiu com precisão a área prevista e fazia parte de um treinamento militar de rotina, sem ter como alvo qualquer país.
O exercício representa o primeiro teste estratégico da China na região desde setembro de 2024, quando Pequim realizou um lançamento de um míssil balístico intercontinental com capacidade nuclear em direção às proximidades da Polinésia Francesa. Desde então, especialistas acompanham a evolução da capacidade nuclear chinesa baseada em terra, mar e ar.
Para Ely Ratner, ex-secretário adjunto de Defesa dos EUA para Assuntos de Segurança do Indo-Pacífico, o movimento deve aproximar ainda mais os aliados americanos na região. “Essa assertividade de Pequim deve servir para estreitar os laços entre os aliados dos EUA na Ásia.”
Jeremy Chan, analista sênior do Eurasia Group, acredita que o lançamento amplia preocupações já existentes sobre a rápida modernização militar chinesa. “A China usou principalmente este lançamento de míssil para testar e demonstrar sua capacidade de segundo ataque nuclear”, afirmou. Segundo ele, após os testes terrestres e marítimos, um futuro lançamento aéreo poderá completar novas etapas de demonstração da tríade nuclear chinesa.
Nos últimos anos, Pequim acelerou investimentos para consolidar sua capacidade de lançar armas nucleares por terra, submarinos e aeronaves. Essa estrutura amplia seu poder de dissuasão em eventuais crises envolvendo os Estados Unidos ou disputas no Indo-Pacífico.
Embora o governo chinês não tenha informado qual modelo foi utilizado, especialistas apontam que o lançamento provavelmente envolveu o JL-3, considerado o míssil balístico lançado por submarinos mais moderno do país. O equipamento possui alcance suficiente para atingir parte do território continental dos EUA quando disparado próximo ao litoral chinês.
O porta-voz do Ministério da Defesa da China, Chen Xi, declarou que o exercício alcançou seus objetivos e informou que os países vizinhos receberam aviso antecipado. “Pequim mantém suas forças nucleares no nível mínimo necessário para a segurança nacional e não se envolverá em uma corrida armamentista nuclear com nenhum país.”
Apesar dessa justificativa, o teste provocou reações imediatas entre governos da região. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, classificou a ação como “desestabilizador para a região” e afirmou que ela ocorre durante um período de rápida expansão militar chinesa.
O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, também criticou o lançamento, destacando que o governo chinês notificou Wellington apenas poucas horas antes do disparo. Já o Departamento de Estado dos EUA afirmou que o crescimento acelerado e pouco transparente do arsenal nuclear chinês continua sendo motivo de preocupação internacional.
Enquanto isso, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Filipinas e outras nações do Pacífico ampliam exercícios militares conjuntos, acordos de defesa e investimentos em segurança. Fiji assinou recentemente um tratado de defesa mútua com Canberra, enquanto Vanuatu concordou em impedir a instalação de bases militares estrangeiras em seu território, medidas interpretadas por especialistas como parte da resposta regional ao aumento da presença militar da China no Pacífico.

