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Bitwise vê piso do Bitcoin mais forte com avanço da adoção institucional

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PortalCripto
Bitwise vê piso do Bitcoin mais forte com avanço da adoção institucional
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O mercado de baixa do Bitcoin em 2026 apresenta características diferentes das grandes correções registradas em ciclos anteriores. Na avaliação da gestora Bitwise, o principal motivo é a crescente presença de investidores institucionais, que passaram a enxergar as quedas como oportunidades de acumular posições, em vez de abandonar o mercado.

Essa mudança de comportamento indica, segundo a empresa, que os fundamentos do Bitcoin continuam evoluindo mesmo em um período de preços pressionados. Ao mesmo tempo, fatores como inflação elevada, expectativa de juros mais altos, incertezas geopolíticas e o forte fluxo de capital para empresas de inteligência artificial seguem limitando uma recuperação mais acelerada.

Juan Leon, estrategista sênior de investimentos da Bitwise, afirma que os clientes institucionais da gestora atualmente se dividem em dois perfis. O primeiro é formado por investidores que já possuem exposição ao Bitcoin e aproveitam as correções para aumentar suas posições por meio da estratégia de preço médio.

O segundo grupo reúne grandes fundos e gestores que continuam aguardando maior segurança regulatória antes de ampliar seus investimentos em criptomoedas.

Segundo Leon, essa mudança fica evidente quando se compara o perfil das conversas atuais com as de poucos anos atrás.

"Em 2022, os clientes perguntavam se as criptomoedas sobreviveriam", disse Leon. "Em 2026, eles estão perguntando sobre pontos de entrada e dimensionamento de posições. Essa é uma conversa completamente diferente."

Mercado de baixa do Bitcoin mostra maior resistência

Para a Bitwise, o atual ciclo de baixa é estruturalmente mais sólido do que os anteriores.

Enquanto o Bitcoin acumula uma desvalorização próxima de 50%, a correção registrada em 2022 chegou a cerca de 78%. Já durante o mercado de baixa de 2018, o ativo perdeu aproximadamente 84% do seu valor.

Na visão da gestora, esse comportamento demonstra que o mercado amadureceu e conta com uma base de investidores mais preparada para períodos de volatilidade.

Leon acredita que esse movimento explica por que o chamado "piso" do Bitcoin continua avançando a cada ciclo.

"O preço mínimo está subindo a cada ciclo, e isso não é por acaso", disse Leon. "É o que acontece quando um ativo vence e o investidor marginal passa de especulador de varejo para alocador profissional."

Apesar da avaliação positiva, o estrategista ressalta que novas quedas ainda podem ocorrer. Os ciclos anteriores permaneceram em tendência de baixa por aproximadamente 12 a 13 meses, enquanto o atual completa cerca de oito meses.

Indicadores apontam possível formação de fundo

Mesmo sem descartar novas oscilações, Leon afirma que diversos sinais tradicionalmente associados ao fim de um mercado de baixa começam a aparecer.

Entre eles estão indicadores técnicos de sobrevenda, aproximadamente metade dos investidores em Bitcoin operando com prejuízo, retomada da acumulação por detentores de longo prazo e fortes saídas dos ETFs spot de Bitcoin registradas em junho.

Na avaliação da Bitwise, esses movimentos costumam indicar um processo de capitulação, etapa que historicamente antecede uma recuperação dos preços.

IA desviou bilhões do mercado de criptomoedas

Para Leon, os maiores desafios enfrentados atualmente pelo Bitcoin não estão relacionados aos seus fundamentos, mas ao ambiente macroeconômico.

A inflação persistente continua elevando as expectativas para as taxas de juros, enquanto as tensões geopolíticas aumentam a cautela dos investidores.

Ao mesmo tempo, o entusiasmo em torno da inteligência artificial direcionou bilhões de dólares para empresas ligadas ao setor de tecnologia, reduzindo temporariamente o fluxo de capital destinado às criptomoedas.

"Não vou chamar a IA de bolha", disse Leon.

Segundo ele, a forte demanda por infraestrutura computacional é legítima e pode ser observada na expansão de mineradoras de Bitcoin para operações de inteligência artificial e computação de alto desempenho.

Ainda assim, o estrategista acredita que essa relação tende a mudar nos próximos meses.

"O caminho cíclico é o seguinte: as expectativas de investimento em IA são assimiladas, as avaliações relativas se comprimem e os alocadores buscam ativos que estejam 50% abaixo de sua máxima, mas com fundamentos em melhoria", disse ele.

Regulação pode acelerar entrada de capital institucional

Leon também afirma que inteligência artificial e criptomoedas devem atuar de forma cada vez mais complementar.

Segundo ele, aplicações baseadas em agentes de IA exigirão infraestrutura de dinheiro programável, pagamentos entre máquinas e redes de stablecoins, criando novas oportunidades para o setor.

Além do ambiente tecnológico, a gestora acompanha de perto o avanço da legislação sobre criptomoedas nos Estados Unidos.

Na avaliação de Leon, a eventual aprovação da Lei da Clareza poderá abrir caminho para a entrada de trilhões de dólares em capital institucional no mercado.

"O que a Lei da Clareza altera é a estrutura de permissão para trilhões de dólares em novo capital institucional", disse Leon.

A visão também aparece no relatório trimestral mais recente da Bitwise. Mesmo após um dos períodos mais fracos para os preços das criptomoedas nos últimos anos, a gestora destaca que a infraestrutura institucional continua se expandindo, a tokenização de ativos reais avança e empresas financeiras tradicionais ampliam sua presença no setor.

Para a Bitwise, esses fatores indicam que, apesar da correção dos preços, os fundamentos do Bitcoin continuam mais sólidos do que nos ciclos anteriores.

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