- Reforma reduz imposto sobre lucros com criptomoedas para 20%
- Proposta da FSA busca ampliar supervisão e transparência
- Medida pode impulsionar negociações e investimentos no Japão
O governo do Japão deu um passo importante ao aprovar uma reforma ampla nas regras de tributação aplicadas às criptomoedas, estabelecendo uma alíquota fixa de 20% sobre os lucros obtidos com negociações. A decisão marca um avanço esperado por participantes do setor, que vinham pressionando por um modelo tributário mais competitivo em comparação às regras atuais.
A proposta, inicialmente apresentada pela Agência de Serviços Financeiros (FSA) em novembro, ganhou apoio político significativo e deve ser formalizada em um projeto de lei durante a sessão regular da Dieta no início de 2026. Caso entre em vigor, o país passará a adotar a mesma alíquota aplicada a ações e fundos de investimento.
Atualmente, os lucros com operações envolvendo criptomoedas são classificados como “rendimentos diversos”, categoria que vincula o valor devido ao imposto de renda anual. Nesse modelo, a tributação pode variar entre 5% e 45%, dependendo da renda total de cada contribuinte. Indivíduos com renda elevada ainda podem pagar um adicional de 10% referente ao imposto municipal, criando um peso maior sobre investidores e empresas do setor.
Críticos argumentam há anos que o sistema vigente afasta investidores, limita a competitividade global do país e reduz o incentivo à inovação. A nova abordagem pretende aliviar essas barreiras, tornando o ambiente doméstico mais atraente para quem atua no mercado de criptomoedas.
Segundo o Nikkei Asia, a redução da alíquota integra um plano mais amplo de inclusão das criptomoedas em uma “estrutura sólida de proteção ao investidor”, alinhando esse mercado a produtos financeiros tradicionais. Com isso, espera-se que o Japão aumente sua participação no setor global, estimulando o crescimento de negociações e novas iniciativas tecnológicas.
Além da mudança tributária, a FSA prepara outro pacote regulatório para fortalecer a integridade do mercado. Entre as medidas estão aprimoramentos na supervisão, novas diretrizes de divulgação, regras para lidar com informações não públicas e salvaguardas adicionais para mitigar riscos.
A Associação Japonesa de Blockchain teve papel importante ao defender, desde 2022, uma taxação padronizada para o setor. Em 2023, o grupo formalizou sua posição ao enviar uma carta ao governo, afirmando: “Esta carta solicita uma revisão da tributação sobre criptoativos, que é o maior obstáculo para empresas que operam negócios na Web3 no Japão e um fator de desincentivo para o público possuir e usar criptoativos ativamente”.
Se implementada, a reforma pode impulsionar a atividade no mercado japonês, atraindo tanto investidores locais quanto empresas internacionais em busca de previsibilidade regulatória e custos fiscais mais competitivos.














