- África do Sul adia CBDC de varejo
- Banco central prioriza CBDC no atacado
- Stablecoins elevam riscos ao sistema financeiro
O Banco Central da África do Sul decidiu interromper, por ora, os planos de desenvolver uma CBDC voltada ao varejo, após anos de pesquisas, testes e consultas com especialistas do setor. A instituição avaliou que não existe necessidade imediata que justifique a implementação, preferindo concentrar recursos na modernização da infraestrutura de pagamentos do país.
No documento publicado pelo SARB, a autoridade monetária afirmou:
“A pesquisa e a experimentação do SARB concluíram que uma CBDC de varejo é tecnicamente viável e poderia ser implementada de forma alinhada aos objetivos regulatórios e políticos. No entanto, a análise não revela uma forte necessidade imediata de tal instrumento”.
O banco central destacou que, neste momento, o foco deve estar no fortalecimento do sistema de pagamentos nacional e na ampliação do acesso por meio da participação de instituições não bancárias. A medida também considera aprendizados obtidos com iniciativas internacionais de moedas digitais emitidas por bancos centrais.
O relatório afirma que “diversos argumentos podem ser apresentados a favor de uma CBDC para o varejo”, mencionando benefícios como inclusão financeira para grupos pouco atendidos por bancos e provedores de pagamento digital. Ainda assim, os estudos não encontraram motivos urgentes para avançar. O SARB reforçou que a decisão não descarta a possibilidade de adoção futura da tecnologia.
O texto acrescenta que:
“Alongo prazo, poderá haver necessidade de uma CBDC de varejo para (i) manter o acesso público ao dinheiro do banco central e aproveitar as oportunidades para complementar e aprimorar ainda mais os pagamentos e apoiar a inovação na África do Sul”.
Para que uma CBDC de varejo seja eficaz, segundo o banco, ela precisaria oferecer ao menos os mesmos atributos do dinheiro físico, incluindo capacidade de uso offline, acessibilidade, facilidade de uso e privacidade robusta.
Com isso, a investigação passará a se concentrar em uma CBDC de atacado, avaliando como o instrumento pode melhorar a liquidação financeira, apoiar modelos de inovação e reduzir fricções em transações transfronteiriças. O SARB afirmou que :
“a exploração ativa e contínua de uma CBDC de atacado também fornecerá informações valiosas sobre interoperabilidade, programabilidade e eficiência de liquidação”.
O banco também destacou preocupações com o avanço das stablecoins no país. O volume negociado saltou para quase 80 bilhões de rands em outubro, criando riscos significativos se o mercado não for adequadamente regulado. Enquanto novas regras estão em desenvolvimento, a supervisão permanece fragmentada, mesmo com o avanço no licenciamento de corretoras e prestadores de serviços ligados a criptomoedas.














