- Irã vê criptomoedas como alternativa ao sistema SWIFT
- BRICS pode adotar ativos digitais em comércio internacional
- Setor privado cobra regras claras para criptomoedas no Irã
Em meio à retomada das sanções internacionais impostas por França, Alemanha e Reino Unido em 2025, após preocupações sobre atividades nucleares, o Irã vem reforçando discursos que defendem o uso de criptomoedas como alternativa para manter suas operações comerciais. As restrições recentes reacendem pressões históricas que já afastam o país do sistema global de pagamentos SWIFT, impacto ampliado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos desde 1979.
Durante a deBlock Summit, conferência internacional sobre blockchain apoiada pelo governo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, destacou que os ativos digitais podem representar uma via estratégica para o comércio exterior. “As criptomoedas oferecem novas maneiras de fazer negócios e pagar por transações comerciais”, afirmou Ghalibaf, acrescentando que os ativos digitais podem apoiar nações independentes.
Ghalibaf reforçou que o objetivo iraniano é ampliar o uso de criptos no comércio internacional e avançar para um ambiente em que pagamentos digitais tornem as relações comerciais menos vulneráveis às sanções. Ele destacou que a adoção plena exige infraestrutura tecnológica apropriada, algo que o governo vem desenvolvendo. “O Parlamento iraniano declara, por meio deste documento, sua disposição em colaborar com acadêmicos, pesquisadores e empresas nesta área”, disse o parlamentar. “Queremos atrair o máximo de investimentos possível em moedas digitais.”
Pooria Asteraky, presidente da deBlock Summit, defendeu que os ativos digitais também são ferramenta relevante no processo de desdolarização buscado por países do BRICS. Para ele, a natureza descentralizada dessas moedas pode reduzir a dependência do dólar nas operações internacionais, alinhando-se ao interesse de blocos que procuram diminuir a exposição à moeda americana.
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, porém, já advertiu publicamente os países do BRICS sobre iniciativas de criação de uma moeda própria, ameaçando impor tarifas caso avancem com alternativas ao dólar.
Apesar do impulso político, representantes do setor privado manifestaram preocupação com a falta de regulamentação local. Ehsan Mehdizadeh, CEO da Wallex Iran, afirmou que o país ainda não oferece um ambiente regulatório transparente. “Não existe um ambiente regulatório transparente adequado para que blockchain ou criptomoedas prosperem”, disse o executivo, observando que o bloqueio ao SWIFT poderia ser amenizado pelo uso de criptos. “Moedas digitais e criptomoedas são uma forma de contornar as sanções.”
Atualmente, o banco central é o único regulador do mercado iraniano, impondo restrições para conversão de riais em ativos digitais. A mineração é permitida, mas o governo segue avaliando seus impactos e a necessidade de ajustes regulatórios.













