- Dirigentes do Fed divididos sobre corte em dezembro
- Kashkari aponta economia mais resistente que o esperado
- Mercado reduz chance de afrouxamento monetário
As discussões internas sobre a política monetária dos Estados Unidos entraram em um período de maior cautela. Neel Kashkari afirmou que a economia segue mais resistente do que antecipava, fator que, segundo ele, justifica uma postura mais cuidadosa do Federal Reserve nas próximas semanas. O dirigente ressaltou que os indicadores recentes mantêm o mesmo ritmo observado anteriormente, reforçando a necessidade de aguardar novos dados antes de decidir sobre cortes adicionais.
Kashkari destacou que, para a reunião marcada para 9 e 10 de dezembro, ainda não possui uma posição definida. De acordo com suas palavras, tudo dependerá da forma como os números econômicos se comportarem até lá. Ele lembrou que, embora não tenha voto este ano no Comitê Federal de Mercado Aberto, participa ativamente das discussões que moldam a orientação da instituição.
O mercado financeiro reagiu ao aumento das declarações cautelosas vindas de autoridades consideradas mais rígidas no combate à inflação. As apostas em um corte de juros em dezembro, que chegaram a estar totalmente precificadas antes da reunião de outubro, caíram para algo próximo de 50% nos contratos futuros ligados aos fundos federais.
Kashkari retomou comentários feitos após o corte de juros de setembro — o primeiro do ano — quando avaliava que a desaceleração econômica estava mais evidente e previa duas reduções adicionais para 2025. Ele chamou atenção para pontos de fragilidade ligados a tomadores subprime e empresas expostas a maiores riscos, embora tenha reconhecido que o ambiente corporativo segue otimista em relação a 2026.
Mary Daly, presidenta do Fed de São Francisco, compartilhou a mesma postura de prudência. Durante um evento na Europa, afirmou que seria precipitado descartar ou antecipar cortes na reunião de dezembro, classificando o direcionamento atual como neutro.
Outros dirigentes vêm reforçando a necessidade de manter as taxas onde estão. Susan Collins, do Fed de Boston, avaliou que o nível atual deve persistir por mais tempo, considerando que a inflação segue em 3%, acima da meta de 2%. Além dela, Jeff Schmid, Beth Hammack e Lorie Logan também se posicionaram contra reduções no curto prazo.
Há, porém, membros que defendem a continuação do ciclo de cortes. Entre eles estão Stephen Miran, Christopher Waller e Michelle Bowman, que destacam resultados inflacionários abaixo do esperado como argumento para flexibilizar ainda mais a política monetária. Com o fim da paralisação do governo dos EUA, o Fed aguarda a retomada dos dados oficiais, embora ainda não esteja claro quais indicadores estarão disponíveis antes da reunião de dezembro.












