- EUA admitidos atraso cripto histórico
- Regulação com isenções para inovação
- Superaplicativos como foco regulatório
O presidente da SEC, Paul Atkins, admitiu que os Estados Unidos ficaram “provavelmente dez anos atrasados” em relação ao mercado de criptomoedas, durante discurso recente a lideranças do setor. Ele afirmou que a inovação migrou em boa parte para o exterior, enquanto o país patinava em hesitações regulatórias. Agora, sua prioridade é reconstruir a credibilidade americana em ativos digitais.
“Os EUA provavelmente estão dez anos atrasados para esta festa”, declarou Atkins, reconhecendo que muitos projetos acabaram buscando jurisdições como Singapura ou Dubai. Para reverter esse quadro, ele deseja transformar a SEC em uma plataforma de incentivo, não um obstáculo. A ênfase deve migrar de uma fiscalização punitiva para uma supervisão orientada ao crescimento.
Segundo o chefe da agência, está em curso o desenvolvimento de uma estrutura modernizada para integrar criptomoedas e fintechs ao sistema regulatório. Em vez de exigir conformidade total de pronto, a SEC pretende oferecer isenções controladas que permitam a startups testar modelos inovadores sem cair automaticamente sob a classificação de valor mobiliário.
Para Atkins, essas medidas são equivalentes a “dar as boas-vindas aos inovadores” em solo americano, depois de tantas fugas de capital. A ideia central é permitir que projetos experimentem sob supervisão mais leve, sem ativar sanções regulatórias severas desde o início.
Outro ponto apresentado foi o interesse em “superaplicativos” — ecossistemas que reúnem pagamentos, investimentos e serviços bancários num único ambiente. Inspirados no modelo asiático, esses sistemas podem migrar para o mercado dos EUA caso as barreiras regulatórias sejam reduzidas, integrando diferentes funções financeiras sob um guarda-chuva normativo.
Atkins sugeriu que os reguladores adotem um modelo inspirado nesses ecossistemas, com coordenação digital entre agências, para tornar o processo regulatório mais rápido e transparente. Essa mudança de postura acompanha o tom mais colaborativo que a SEC vem adotando após a saída do ex-presidente Gary Gensler.
Os comentários do novo líder do órgão refletem uma guinada estratégica na abordagem do governo Trump, que agora pretende reposicionar os EUA como ambiente propício para blockchain e inovação cripto. Ao reconhecer falhas da última década, Atkins abriu caminho para um novo capítulo, em que a agência busca liderar — e não mais reprimir — o desenvolvimento das criptomoedas.














