- França intensifica inspeções em corretoras de criptomoedas
- Binance é orientada a melhorar controles de conformidade
- Europa avança para padronizar regras de cripto sob a UE
As autoridades financeiras da França estão conduzindo uma série de inspeções em corretoras de criptomoedas registradas no país, incluindo a Binance e a Coinhouse, para avaliar o cumprimento das regras de combate à lavagem de dinheiro (AML) e ao financiamento do terrorismo. O movimento reflete a crescente atenção dos reguladores europeus às práticas de conformidade das principais empresas do setor.
De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, o processo de revisão começou no final de 2024 e faz parte do esforço da Autorité de Contrôle Prudentiel et de Résolution (ACPR), órgão supervisor francês, para determinar quais plataformas poderão obter licenças operacionais válidas em toda a União Europeia sob o novo regime de regulamentação cripto.
As verificações têm foco na estrutura de Provedores de Serviços de Ativos Digitais (PSAN), sistema regulatório local que estabelece padrões de segurança, identificação de clientes e monitoramento de transações. Pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a ACPR instruiu a Binance a reforçar seus controles internos de conformidade e mitigação de risco.
Questionada sobre a auditoria, a Binance declarou que “inspeções periódicas são uma parte padrão da supervisão de entidades regulamentadas”. Já a ACPR e a Coinhouse optaram por não comentar o andamento das avaliações.
As ações de supervisão ocorrem em meio à implementação do novo quadro regulatório europeu de criptoativos (MiCA), que busca harmonizar as regras entre os Estados-membros. No mês passado, França, Itália e Áustria solicitaram à Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados (ESMA) que assuma a supervisão direta das maiores exchanges da região.
A Binance, entretanto, já possui um histórico de embates regulatórios em diversas jurisdições. Em 2023, a corretora foi alvo de processos nos Estados Unidos movidos pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) e pelo Departamento de Justiça, resultando em um acordo de US$ 4,3 bilhões e na renúncia do fundador Changpeng “CZ” Zhao.
A empresa também enfrentou investigações na Austrália, onde a autoridade financeira local (AUSTRAC) apontou falhas em políticas de AML e Know Your Customer. Ainda assim, a Binance mantém presença em mercados importantes, incluindo a Coreia do Sul, após adquirir a corretora Gopax, e segue buscando adequar suas operações aos padrões exigidos para atuar dentro da União Europeia sob as novas regras do MiCA.














