- Casal de Denver fraudou investidores com INDXcoin
- Justiça do Colorado impõe multa de US$ 3,34 milhões
- Reguladores denunciam exploração da fé em esquema cripto
Um tribunal de Denver considerou que a INDXcoin, criptomoeda criada e promovida pelo pastor Eli Regalado e sua esposa Kaitlyn, não passava de um esquema fraudulento. A juíza Heidi L. Kutcher declarou o casal e sua empresa, INDXcoin LLC, culpados por fraude de valores mobiliários, estabelecendo uma sentença de US$ 3,34 milhões.
Entre junho de 2022 e abril de 2023, os Regalados captaram quase US$ 3,4 milhões de mais de 300 investidores, em sua maioria da comunidade cristã local, por meio da plataforma Kingdom Wealth Exchange. A corretora faliu em apenas um dia, deixando os investidores sem retorno. Mesmo após auditoria ter atribuído nota “0 de 10” ao projeto, o casal seguiu promovendo a INDXcoin como investimento seguro.
O caso foi conduzido pela Divisão de Valores Mobiliários do Colorado, que abriu processo civil em janeiro de 2024. A decisão final, anunciada em 12 de setembro, encerra as disputas no âmbito cível. O comissário de valores mobiliários, Tung Chan, afirmou que os Regalados eram “falsos profetas do século XXI” e ressaltou que exploraram tanto a fé quanto a falta de conhecimento em criptomoedas de suas vítimas.
As investigações mostraram que os fundos captados não foram destinados ao desenvolvimento do projeto, mas a gastos pessoais, como viagens de luxo, roupas de grife, um Range Rover, joias, passeios de esqui, iate e até tratamento odontológico. Em resposta anterior, Eli Regalado chegou a admitir em vídeo que metade do dinheiro foi para a Receita Federal e o restante para uma reforma, dizendo que foi algo que “o Senhor nos disse para fazer”.
O processo civil segue decisão anterior de abril, que havia confirmado que a INDXcoin se qualificava como valor mobiliário. Em paralelo, em julho, um grande júri de Denver indiciou criminalmente o casal por 40 acusações ligadas ao esquema multimilionário.
A condenação representa uma vitória para os reguladores do Colorado, que buscam reforçar a responsabilização em casos de fraude envolvendo criptomoedas, especialmente quando combinam promessas financeiras enganosas com exploração de vínculos religiosos.












