- Bielorrússia quer bancos apoiados em criptomoedas
- Lukashenko defende tokens digitais em pagamentos internacionais
- Governo acelera regras para exchanges e mineração cripto
O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, reforçou seu apelo para que os bancos nacionais ampliem o uso de criptomoedas como alternativa ao impacto das sanções econômicas impostas por países ocidentais. Durante reunião com chefes do Banco Central e instituições comerciais, ele destacou que os tokens digitais devem assumir maior papel tanto em pagamentos internacionais quanto em operações domésticas.
Lukashenko argumentou que as criptomoedas podem ajudar o país a enfrentar os “desafios sem precedentes” que a economia local vive há cinco anos. Desde 2020, União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá intensificaram medidas que atingiram setores estratégicos como energia, defesa, finanças e transporte. “Eles esperaram que caíssemos de joelhos. Mas hoje podemos dizer (talvez até com confiança): não estamos falidos, conseguimos”, afirmou o presidente.
Na visão do governo, a adoção de criptomoedas oferece vantagens como redução da dependência de intermediários, maior controle de ativos pelos usuários e a possibilidade de automatização por meio de contratos inteligentes. Lukashenko acrescentou que as bolsas de criptomoedas locais estão “a caminho de possivelmente dobrar os pagamentos externos até o final do ano”, pedindo que os bancos apoiem esse processo.
O país já reconhece transações em criptomoedas desde 2018, mas o avanço das restrições internacionais acelerou a busca por soluções. Casos como o da Rússia, que recorreu a liquidações em cripto após o bloqueio de suas conexões com redes financeiras globais, reforçam o exemplo para Minsk.
Na semana passada, o presidente havia cobrado mecanismos de supervisão mais claros para o setor, após dados apontarem que quase metade dos valores enviados por investidores bielorrussos a exchanges estrangeiras não retorna. Ele exigiu dos legisladores “regras do jogo transparentes e mecanismos de controle” para proteger investidores e a estabilidade econômica.
No ano anterior, já havia sido aprovada lei que obriga negociações de criptomoedas a ocorrer apenas em corretoras nacionais. Além disso, Lukashenko voltou a defender a criação de uma indústria de mineração de criptomoedas apoiada pelo Estado, aproveitando o excedente de eletricidade da Bielorrússia como base energética para o setor.












