- Bitcoin sofre com queda nas taxas de transação
- Mineradores pressionados com halving e baixa atividade on-chain
- ETFs impulsionam preço, mas não geram receita on-chain
Apesar do forte desempenho do Bitcoin em 2025, impulsionado principalmente pela entrada de capital por meio de ETFs e Digital Asset Treasuries (DATs), analistas alertam para uma desconexão preocupante: a baixa atividade on-chain não acompanha a alta de preço do ativo.
Essa divergência afeta diretamente os mineradores, que dependem cada vez mais da valorização do BTC para manter a operação viável. As taxas de transação, que deveriam compensar a redução das recompensas por bloco após o halving de abril de 2024, continuam representando menos de 1% da receita dos mineradores.
Halving de 2028 acende alerta para sustentabilidade da rede
A CoinMetrics observou que essa dependência do preço do ativo pode comprometer a segurança da rede no longo prazo. O próximo halving do Bitcoin está previsto para acontecer em 2028, quando as recompensas por bloco cairão de 3,125 para apenas 1,5625 BTC. Se as taxas de transação não crescerem para equilibrar essa redução, o risco de mineradores abandonarem a rede tende a aumentar.
Atualmente, a centralização do poder de hash também preocupa. A Foundry detém 30% da taxa de hash da rede, enquanto a Antpool concentra 18%. Essa concentração ameaça a descentralização e aumenta a vulnerabilidade à censura. Mineradores menores, por outro lado, enfrentam margens cada vez mais estreitas, muitas vezes precisando vender seus BTCs para custear despesas operacionais.
Enquanto isso, a narrativa de “ouro digital” fortalece o interesse institucional, mas não contribui diretamente com a atividade na rede. Investidores que adquirem ETFs e DATs movimentam o preço do ativo, mas suas transações não passam pela blockchain do Bitcoin, reduzindo a arrecadação de taxas.
Para enfrentar esse desequilíbrio, iniciativas como o Babylon Genesis Chain surgem como alternativas. O projeto permite que detentores de BTC façam stake para proteger redes de prova de participação, e seu lançamento em agosto de 2024 gerou um breve aumento nas taxas para mais de US$ 150 por bloco. No entanto, esses picos foram temporários.
A tokenização também avança, com o cbBTC da Coinbase ultrapassando 52.000 BTC em oferta. Mesmo assim, a maior parte dessa movimentação ocorre fora da camada principal da rede, o que pouco contribui para as taxas.
A CoinMetrics reforça que, para manter a valorização do Bitcoin, será necessário estimular maior uso on-chain, ampliando a demanda por espaço em blocos e fortalecendo os incentivos à segurança da rede por meio de taxas sustentáveis.












