- Trump propõe tarifa de 200% sobre ímãs chineses
- China domina 90% da oferta global de terras raras
- Importações abaixo de US$ 800 perderão isenção
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou nesta segunda-feira (25) que seu governo poderá aplicar uma tarifa de 200% sobre ímãs originários da China. O anúncio ocorre em meio à crescente disputa comercial por insumos tecnológicos considerados estratégicos. Em suas palavras: “Temos que cobrar uma tarifa de 200% ou algo assim”, disse Trump, completando: “Eu poderia destruir a China, mas não farei isso”.
As declarações vieram após a decisão de Pequim, em abril, de limitar a exportação de elementos de terras raras, fundamentais para indústrias que vão de smartphones a veículos elétricos e sistemas de defesa. A China adicionou novos materiais à sua lista de controle de exportações, intensificando o impacto sobre a cadeia de produção dos Estados Unidos, que depende fortemente desses insumos. Atualmente, os chineses detêm 90% do fornecimento global desses ímãs.
O contexto se agravou com a recente aquisição de 10% da Intel pelo governo americano. A gigante de chips é altamente dependente de insumos chineses, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco para a segurança tecnológica nacional. Apesar das restrições, a China elevou suas remessas de terras raras em mais de 4.700 toneladas em julho, ampliando seu poder de negociação.
Trump também emitiu um decreto prorrogando por 90 dias a suspensão de um novo aumento de tarifas. Sem essa medida, produtos chineses sofreriam um salto nas alíquotas de 30% para 145%. Essa trégua tarifária entre os dois países tem validade até 9 de novembro.
Entre o início do ano e abril, a média das tarifas impostas pelos EUA subiu de 2,5% para 27%, atingindo um dos níveis mais altos já registrados. Em agosto, houve uma redução técnica para 18,6%, mas o valor permanece bem acima da média histórica. Em julho, as tarifas já respondiam por 5% da receita federal americana.
Além disso, o presidente ampliou a taxação sobre aço, alumínio e cobre para 50%, e implementou uma tarifa de 25% sobre veículos importados. Em abril, recorreu à Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e impôs uma tarifa padrão de 10% sobre importações de países sem acordos comerciais.
Outra mudança significativa foi decretada para entrar em vigor em 29 de agosto: o fim da isenção para remessas com valor inferior a US$ 800. A partir dessa data, pequenos pacotes – como os vindos de e-commerces chineses – passarão a pagar a tarifa integral, o que amplia ainda mais as barreiras comerciais entre as duas potências.












