- Stablecoins podem drenar até US$ 6,6 trilhões de depósitos
- Bancos pressionam Congresso para limitar expansão de criptomoedas
- Tether e Circle dominam 90% do mercado de stablecoins
Os grandes bancos dos Estados Unidos intensificaram os alertas sobre o crescimento acelerado das stablecoins, argumentando que esses ativos digitais podem retirar trilhões de dólares dos depósitos bancários. Segundo associações financeiras de Wall Street, a migração de recursos para stablecoins pode alcançar até US$ 6,6 trilhões, impactando a capacidade de concessão de crédito e elevando os custos dos empréstimos para consumidores e empresas.
Especialistas do setor apontam que a situação lembra a década de 1980, quando os fundos de mercado monetário começaram a competir diretamente com os depósitos bancários. Nesse novo contexto, analistas afirmam que os credores teriam de aumentar taxas de depósito ou recorrer a financiamentos de atacado mais caros, algo que afetaria principalmente bancos comunitários.
Os credores menores, inclusive, classificaram a recém-aprovada Lei GENIUS como uma ameaça direta à sobrevivência dessas instituições. Os bancos agora pressionam o Congresso a modificar pontos da legislação para impedir que empresas de criptomoedas ofereçam rendimentos atrativos ou expandam operações de bancos licenciados em nível estadual para todo o país.
Enquanto isso, defensores do setor de criptomoedas acusam os bancos de tentar apenas proteger território, reforçando que as stablecoins trazem inovação, eficiência e mais opções ao consumidor. A disputa vai além das stablecoins e inclui também a tokenização de ativos e direitos sobre dados financeiros.
Com a dívida pública dos EUA acima de US$ 37 trilhões, emissores como Tether e Circle ganham relevância no mercado de Treasuries, reforçando o papel das stablecoins como grandes compradoras de títulos do Tesouro. A nova lei exige que os emissores lastreiem seus tokens em dólares ou ativos líquidos de alta qualidade, colocando os Treasuries de curto prazo no centro da garantia.
“O mercado de stablecoins bem regulado poderia consolidar o domínio do dólar americano no mundo das finanças digitais”, escreveram analistas do HSBC em relatório recente. Já Scott Bessent destacou: “As stablecoins ampliarão o acesso a dólares para bilhões em todo o mundo e levarão a um aumento na demanda por títulos do Tesouro dos EUA, que lastreiam as stablecoins”.
Atualmente, Tether (USDT) e USD Coin (USDC) concentram cerca de 90% do mercado de stablecoins, avaliado em US$ 250 bilhões em 2025. Projeções indicam que essa capitalização pode alcançar entre US$ 1,2 trilhão e US$ 2 trilhões até 2028, com algumas análises apontando até US$ 4 trilhões até 2035.














