- CPI de julho pode subir para 2,8% ao ano
- Tarifas pressionam preços de bens e serviços
- Mercado cripto acompanha dados do CPI
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho, previsto para divulgação nesta terça-feira às 8h30 (horário do leste dos EUA), deve indicar uma aceleração na inflação anual em relação a junho. A expectativa mantém os investidores atentos ao impacto das tarifas impostas pelo atual presidente dos EUA sobre os custos para o consumidor.
Estimativas apontam que o CPI geral poderá registrar alta de 2,8% em 12 meses, acima dos 2,7% observados em junho. No comparativo mensal, o avanço esperado é de 0,2%, ligeiramente abaixo do 0,3% anterior, influenciado pela queda nos preços da gasolina e pela projeção de alimentos com inflação mais moderada.
O núcleo “básico”, que exclui preços voláteis como energia e alimentos, pode atingir 3,0% na base anual, frente aos 2,9% de junho. No mês, a previsão é de alta de 0,3%, a maior em seis meses, sinalizando que a inflação de bens não está mais sendo compensada pela desaceleração nos serviços.
Em junho, houve alta nos preços de vestuário (0,4%), calçados (0,7%) e móveis e roupas de cama (0,4%), revertendo quedas anteriores. Esses dados são interpretados como possíveis reflexos iniciais das tarifas sobre o consumo.
“O CPI de julho trará novos sinais de tarifas mais altas elevando os preços”, disse Sarah House, economista do Wells Fargo, ressaltando que ainda é cedo para medir como o repasse será distribuído entre consumidores, varejistas e exportadores.
Atualmente, a taxa tarifária efetiva dos EUA está em 18,6%, o nível mais alto desde 1933, segundo o Yale Budget Lab. Paralelamente, o mercado monitora as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve já em setembro, impulsionadas por dados mais fracos do mercado de trabalho e inflação ainda elevada.
O analista Stuart Kaiser, do Citi, avaliou que o CPI pode trazer “duas dores de cabeça” para o Fed, caso o núcleo e os preços de bens essenciais sigam em alta.
Como o CPI pode impactar o preço do Bitcoin e criptomoedas
O Bitcoin chegou a testar níveis acima de US$ 122 mil nos últimos dias, mas recuou para próximo de US$ 118 mil nesta segunda-feira, refletindo cautela antes da divulgação do CPI.
Caso o índice venha acima do previsto, reforçando a percepção de inflação persistente, o dólar tende a ganhar força e o apetite por ativos de risco pode diminuir, pressionando o Bitcoin e outras criptomoedas. Em um cenário assim, o movimento de correção iniciado hoje poderia se intensificar.
Por outro lado, se o CPI surpreender para baixo, indicando inflação mais contida, aumentam as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve já no próximo encontro. Isso poderia favorecer ativos de risco, impulsionando uma recuperação nos preços do BTC e de outras criptos após a recente queda.












