- China restringe promoção de stablecoins em corretoras
- Autoridades miram uso ilícito de stablecoins
- Hong Kong incentiva mercado regulado de stablecoins
Nos últimos dias, boatos nas redes sociais reacenderam o receio de que a China teria imposto uma nova proibição às criptomoedas. A narrativa, porém, não encontra respaldo em medidas oficiais recentes. Desde 2021, empresas e instituições financeiras estão proibidas de oferecer serviços com criptomoedas no país, mas a posse individual e as transações diretas entre usuários, no formato peer-to-peer (P2P), continuam permitidas.
Nesse contexto, fontes do mercado indicam que autoridades chinesas têm adotado ações discretas para limitar o avanço das stablecoins. Corretoras e instituições financeiras teriam recebido orientações para suspender eventos e remover publicações de pesquisa sobre esses ativos, especialmente o USDT, que desempenha papel central no comércio de criptomoedas no país.
O governo demonstra preocupação com a utilização de stablecoins em operações fora do radar regulatório, incluindo transações OTC. Estimativas apontam que, apenas nos primeiros nove meses de 2024, esse mercado teria movimentado cerca de US$ 75 bilhões. A vinculação dessas operações a casos de lavagem de dinheiro levou a alertas e restrições adicionais em algumas províncias.
Enquanto isso, Hong Kong mantém uma abordagem distinta. A região, que conta com autonomia regulatória, continua expandindo seu ecossistema de criptomoedas, emitindo licenças para empresas — inclusive estatais — atuarem no setor. O modelo inclui uma estrutura de licenciamento específica para stablecoins, em contraste com as restrições silenciosas aplicadas no território continental.
Apesar das medidas cautelosas, autoridades de alto escalão, como o governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, já reconheceram o potencial das stablecoins para modernizar o sistema financeiro global, especialmente em um momento em que tensões geopolíticas afetam redes tradicionais de pagamento.
O movimento também se alinha ao esforço do país em promover o yuan digital, sua moeda digital de banco central, consolidando uma solução estatal enquanto monitora casos de uso e oportunidades envolvendo blockchain e ativos tokenizados.














