- Tarifa de Trump encarece equipamentos de mineração de bitcoin
- ASICs importados enfrentam aumento médio de 21% no custo
- Mineradoras dos EUA avaliam migração para países isentos
A tarifa de 100% sobre semicondutores importados, promulgada pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, entrou em vigor em 7 de agosto e já começa a impactar diretamente a economia da mineração de bitcoin no país. A medida, voltada à redução da dependência externa e ao incentivo à produção doméstica de chips, aumentou significativamente o custo de aquisição de ASICs — os principais equipamentos usados na atividade.
Grande parte desses chips ainda é produzida na Ásia, especialmente por fabricantes como Bitmain e MicroBT, o que limita as opções dos mineradores americanos diante da nova política. Estima-se que o aumento médio nos custos de aquisição de hardware tenha chegado a 21%, colocando ainda mais pressão sobre operações que já enfrentam margens apertadas após o halving de abril e a elevação contínua da dificuldade da rede.
Segundo dados do Índice de Hashrate, a receita diária por terahash/segundo caiu 55% em um ano, enquanto a dificuldade global segue acima de 123 trilhões. A combinação de menor lucratividade com aumento nas despesas de capital vem obrigando mineradoras a reavaliar seus planos de expansão.
Empresas do setor, como Luxor e AsicXchange, chegaram a pagar até dez vezes mais por frete aéreo para antecipar entregas antes da nova alíquota. A tentativa de driblar as tarifas anteriores realocando a produção para o Sudeste Asiático também perdeu efeito, já que a medida atual cobre 57 países da região, incluindo Malásia e Tailândia.
Gigantes listadas em bolsa como Marathon Digital, Riot Platforms, CleanSpark, Bitdeer e Hut 8 registraram leves quedas no preço das ações após o anúncio, refletindo a preocupação dos investidores. De acordo com o Relatório da Indústria de Mineração Digital de Cambridge, o hardware representa de 60% a 70% dos custos iniciais em operações do setor.
Com poucas alternativas de produção nacional, algumas mineradoras consideram transferir operações para locais isentos das tarifas, como Canadá, Noruega ou Cazaquistão. O diretor de operações da Luxor, Ethan Vera, comentou: “Eu nem sabia que era possível aumentar tarifas em, tipo, dois dias… é muito difícil fazer negócios assim.”












