- Citigroup e Goldman ampliam presença no setor blockchain
- JPMorgan aposta em tokenização com plataforma própria
- Bancos visam infraestrutura, custódia e pagamentos digitais
De 2020 a 2024, instituições financeiras globais realizaram mais de 340 aportes em startups e projetos ligados ao ecossistema blockchain, com destaque para 33 rodadas que ultrapassaram a marca dos US$ 100 milhões. Segundo um levantamento recente, os bancos considerados sistemicamente importantes (G-SIBs) estiveram à frente de 106 desses investimentos estratégicos.
Citigroup e Goldman Sachs lideram esse movimento com 18 investimentos cada em iniciativas de blockchain. Logo atrás, aparecem JPMorgan Chase e Mitsubishi UFJ Financial Group, ambos com 15 participações. A maioria dessas apostas concentrou-se em fases iniciais de desenvolvimento, principalmente rodadas seed e Série A, indicando uma busca por soluções promissoras e alinhadas ao futuro da infraestrutura financeira.
Entre os focos dos aportes estão plataformas de negociação tokenizada, soluções para pagamentos digitais e serviços de custódia baseados em blockchain. O JPMorgan se destacou por testar internamente a rede Kinexys e executar uma operação com títulos do Tesouro dos EUA tokenizados, em parceria com a Chainlink e a Ondo Finance. Já Citigroup e Goldman formaram alianças para explorar o potencial da tokenização de ativos e a modernização de processos no mercado de capitais.
Outro exemplo de destaque é a plataforma de pagamentos internacionais Partior, que arrecadou US$ 111 milhões em uma rodada de financiamento Série B em 2024. O projeto recebeu apoio financeiro do JPMorgan e do Standard Chartered. A empresa HQLAx, especializada em soluções de financiamento de títulos com tecnologia blockchain, também atraiu investimentos de grandes bancos, como Citigroup, Goldman Sachs e JPMorgan.
O relatório aponta que, ao invés de aquisições diretas, os bancos têm preferido modelos de parceria e participação minoritária em empresas do setor. Após o impacto do colapso da FTX em 2022 e a retração de 2023, o interesse voltou a crescer em 2024, favorecido por uma maior clareza regulatória nos principais centros financeiros.
A expectativa do Boston Consulting Group é que os ativos tokenizados de bens do mundo real superem os US$ 18 trilhões até 2033, o que impulsiona o interesse das grandes instituições. Paralelamente, bancos regionais também começam a explorar esse mercado por meio de integrações com fintechs e plataformas públicas. Uma pesquisa realizada em 2022 revelou que 11% dos bancos comunitários nos EUA já consideravam oferecer serviços ligados às criptomoedas.














