- Índia mantém petróleo russo apesar da pressão dos EUA
- Trump ameaça sanções contra importações indianas de petróleo
- Nova Déli reforça parceria com Rússia no setor energético
A Índia reafirmou que continuará importando petróleo da Rússia, mesmo após a ameaça do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% e novas penalidades. Autoridades indianas garantiram que nenhuma instrução foi repassada às empresas do setor para reduzir as compras russas.
Segundo fontes oficiais, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi mantém inalterada sua política energética. Em coletiva recente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Randhir Jaiswal, afirmou que as relações externas do país “não são moldadas por pressões externas” e destacou que a parceria entre Índia e Rússia é estável e consolidada.
A declaração veio após Trump sugerir que a Índia teria parado de comprar petróleo russo, algo imediatamente refutado por Nova Déli. A resposta indiana foi direta ao apontar que não houve mudança alguma na estratégia de importação. A nação asiática depende de cerca de 90% de petróleo importado e hoje compra de mais de 40 países.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a participação do petróleo russo nas importações indianas subiu de menos de 1% para mais de 33%. A Índia é atualmente o segundo maior comprador do petróleo da Rússia, atrás apenas da China, adquirindo aproximadamente 2 milhões de barris por dia.
Mesmo com a pressão dos EUA e da Europa desde 2022, Nova Déli defende que suas compras respeitam os limites do teto de preços impostos pelo G7 e pela União Europeia. Em reuniões passadas, autoridades americanas chegaram a reconhecer a eficácia da abordagem indiana.
O ex-embaixador da Índia em Moscou, Pankaj Saran, alertou que a retirada da Rússia do portfólio energético indiano só beneficiaria Pequim. “Mesmo que a Índia zere as importações, a China continuará comprando a preços baixos”, observou o diplomata.
Em meio às tensões, o governo indiano vê risco em decisões geopolíticas voláteis. Segundo fontes ligadas ao setor energético, os contratos de longo prazo e as rotas de transporte firmadas com a Rússia não são facilmente substituíveis, o que reforça a posição de continuidade de Nova Déli em suas relações com Moscou.












