- Fed mantém juros em 4,5% pela quinta vez
- Divisão no Fed destaca incerteza sobre economia
- Trump pressiona por corte de juros imediato
O Federal Reserve decidiu manter, pela quinta reunião consecutiva, a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,5%, mesmo diante da crescente pressão do atual presidente dos EUA, Donald Trump, por uma redução mais agressiva. A decisão foi marcada por uma rara dissidência interna: os governadores Christopher Waller e Michelle Bowman votaram por um corte de 0,25 ponto percentual, algo que não ocorria há mais de 30 anos.
O comitê do Fed revisou sua visão sobre a atividade econômica dos EUA, destacando que o crescimento “se moderou” no primeiro semestre de 2025. O Produto Interno Bruto, que havia recuado 0,5% no primeiro trimestre, subiu para 3% no segundo, impulsionado pela antecipação de importações antes da implementação das tarifas comerciais propostas por Trump.
Apesar da melhora nos números, o banco central adotou um tom mais cauteloso. A visão anterior de um crescimento “sólido” foi rebaixada, e o Fed reiterou que o mercado de trabalho segue forte, mas que a inflação ainda permanece “um tanto elevada”. A incerteza sobre os rumos da economia americana foi enfatizada, com autoridades afirmando que ainda há muitos riscos no horizonte.
Horas antes do anúncio, Trump voltou a criticar publicamente o presidente do Fed, Jerome Powell, usando o Truth Social para pressionar por um corte imediato nas taxas. “Tarde demais, AGORA É PRECISO REDUZIR A TAXA”, escreveu. Segundo ele, a manutenção dos juros altos prejudica os compradores de imóveis e aumenta os custos da dívida nacional.
Enquanto isso, o mercado já projeta a próxima reunião do Fed, agendada para 16 e 17 de setembro, como a provável ocasião para o início dos cortes em 2025. Analistas e investidores estarão atentos aos próximos dados de inflação e emprego, que serão divulgados ainda esta semana, para avaliar se haverá espaço para uma mudança na política monetária.
Christopher Waller tem defendido que as tarifas implementadas provocam efeitos inflacionários pontuais, o que permitiria ao Fed retomar o foco no pleno emprego, uma das suas metas centrais. A divisão interna no comitê pode reforçar essa linha nas próximas decisões.












