- Gana criará licença oficial para empresas de criptomoedas
- Regulação busca impulsionar comércio e uso do cedi
- Transações cripto no país já somam US$ 3 bilhões
O Banco Central de Gana está finalizando uma proposta de estrutura regulatória voltada para o setor de criptomoedas, com previsão de envio ao parlamento até setembro. A medida visa fornecer mais clareza jurídica e permitir que o país aproveite o potencial dos ativos digitais no fortalecimento do comércio internacional e na coleta de dados financeiros.
O governador do banco central, Johnson Asiama, reconheceu o atraso do país na regulamentação do setor. “Na verdade, estamos atrasados no jogo, o que tem implicações para a moeda local”, declarou, destacando o crescente uso de criptomoedas pela população ganesa em transações cotidianas.
De acordo com o Web3 African Group, Gana movimentou US$ 3 bilhões em transações com criptoativos entre julho de 2023 e junho de 2024. Embora o valor represente um avanço para o país, ainda é modesto quando comparado aos US$ 59 bilhões movimentados pela Nigéria no mesmo período.
A ausência de uma estrutura legal tem dificultado a mensuração precisa do uso de criptomoedas em Gana, embora o crescimento de sua adoção esteja visível. O cedi, moeda oficial do país, se valorizou 48% nos últimos 12 meses, após ter sofrido uma desvalorização de 25% no ano anterior, o que aumentou o apelo por ativos digitais como alternativa.
O projeto de regulamentação também se alinha à estratégia nacional de investimento em iniciativas ligadas à web3. A proposta incluirá critérios para licenciamento de plataformas de criptomoedas e pode posicionar Gana entre os primeiros países africanos a criar um marco legal robusto para o setor.
Até o momento, a África do Sul é o único país do continente que já implementou um processo formal de licenciamento. Em dezembro de 2024, o órgão regulador sul-africano FSCA concedeu autorização a 248 prestadores de serviços de criptoativos, com outras 56 solicitações em avaliação.
Com essa iniciativa, Gana pretende acompanhar a transformação digital global e garantir que as criptomoedas possam ser utilizadas de maneira regulada, transparente e segura, mantendo o controle monetário e incentivando a inovação tecnológica em seu sistema financeiro.












