- FTX tenta excluir credores chineses de distribuições
- Credores chineses reagem à proposta de jurisdição restrita
- China responde por 82% dos US$ 800 mi em disputa
Um grupo de mais de 300 credores da FTX, liderado por um cidadão chinês residente em Singapura, entrou com uma objeção formal à proposta da exchange em processo de falência nos Estados Unidos. A proposta em questão permitiria à FTX ignorar obrigações de pagamento em jurisdições consideradas restritas, como China, Rússia e Paquistão.
A objeção foi apresentada ao Tribunal de Falências de Delaware por Weiwei Ji, que afirmou ter sido classificado como credor chinês pela FTX devido ao seu passaporte, embora resida em Singapura. Ji informou que sua família possui quatro contas verificadas na FTX com um total de mais de US$ 15 milhões em reivindicações.
“Cumprimos integralmente todos os requisitos processuais do plano. A moção proposta agora coloca em risco nosso direito à distribuição de forma arbitrária e injusta”, destacou Ji.
Segundo registros, a FTX estima cerca de US$ 800 milhões em reivindicações de credores em 49 jurisdições possivelmente restritas, sendo que 82% desse montante está relacionado à China. A proposta apresentada pelo FTX Recovery Trust sugere a contratação de especialistas legais para avaliar se é possível realizar os pagamentos de forma legal em cada país. Caso contrário, as regiões seriam rotuladas como “restritas”, permitindo à exchange redirecionar esses valores a outros credores.
Para Ji, a classificação da China como jurisdição restrita carece de fundamentação legal. Ele argumenta que, como no caso da Celsius Network, os pagamentos poderiam ser processados por meio de contas em Hong Kong, respeitando a legislação vigente.
O documento também destaca que, apesar de restrições locais, a criptomoeda é considerada propriedade legal na China e que a região administrativa especial de Hong Kong adota regulamentações favoráveis às criptos.
Ji conclui afirmando que “a distribuição de créditos aos credores chineses não representa risco legal para o administrador ou seus agentes e constitui uma etapa obrigatória no processo de falência”, solicitando que o tribunal rejeite qualquer medida que exclua esses credores das distribuições.













