- Bitcoin visto como proteção digital contra moedas fiduciárias
- Bancos centrais aumentam compras de ouro desde 2008
- ETFs de bitcoin superam ouro em captação em 2024
O diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, afirmou que cresce o reconhecimento global sobre os riscos inerentes ao sistema monetário baseado em moedas fiduciárias. Em uma comunicação recente com clientes, ele comparou a atual dependência global por esse modelo a uma espécie de “cegueira coletiva”, referindo-se à famosa parábola de David Foster Wallace sobre peixes que não percebem a água em que nadam.
Desde que os Estados Unidos romperam com o padrão-ouro em 1971, o sistema fiduciário passou a dominar, o que, segundo Hougan, afastou a maioria dos profissionais de finanças atuais de qualquer experiência fora desse modelo. “Como quase todos os outros profissionais financeiros que trabalham hoje, passei a vida inteira nadando nas águas de um mundo baseado em moedas fiduciárias”, observou.
Essa percepção, no entanto, está mudando. Hougan argumenta que mais pessoas estão questionando a legitimidade desse modelo. “Talvez imprimir dinheiro do nada, como começamos a fazer em 1971, seja na verdade uma ideia maluca. Talvez dinheiro sólido exija limites”, disse. Essa reavaliação está alimentando a busca por ativos que oferecem segurança e escassez — como o ouro e o bitcoin.
💸 Bitwise: “Fiat is losing trust… it’s Bitcoin time” 💣@BitwiseInvest says investors are losing confidence in fiat currencies and turning to Bitcoin as a reliable store of value amid inflation and monetary concerns.https://t.co/bVH5o0l0a6
— Crypto economy (EN) (@CryptoEconomyEN) June 18, 2025
Ele citou um relatório segundo o qual bancos centrais intensificaram as compras de ouro após a crise financeira de 2008 e, em especial, após a invasão da Ucrânia em 2022. A movimentação reflete temores crescentes sobre desvalorização cambial e confisco de reservas, fenômenos que estimulam a busca por ativos autônomos e resistentes à interferência estatal.
Enquanto os governos optam pelo ouro, investidores individuais têm preferido o bitcoin como forma de proteção digital. Segundo Hougan, os ETFs de bitcoin já captaram US$ 45 bilhões em 2024, superando os US$ 34 bilhões destinados aos ETFs de ouro no mesmo período.
Mesmo com o bitcoin ainda sendo considerado um mercado pequeno e pouco líquido para grandes intervenções de bancos centrais, o crescente interesse institucional indica uma mudança significativa de paradigma. Para Hougan, essa tendência evidencia que carteiras baseadas exclusivamente em ações e títulos seguem vulneráveis à instabilidade do sistema fiduciário.












