- Participações da Strategy superam 580 mil bitcoins
- Estratégias alavancadas comprometem liquidez do bitcoin
- Bancos centrais hesitam em adotar BTC como reserva
A rápida expansão das participações em bitcoin por empresas como a Strategy, anteriormente conhecida como MicroStrategy, está gerando preocupações entre especialistas do setor financeiro. Segundo um relatório do banco suíço Sygnum, o modelo de aquisição altamente alavancado adotado por essas corporações pode comprometer a legitimidade do bitcoin como ativo de reserva para bancos centrais.
Na última segunda-feira, a Strategy revelou ter comprado mais 1.045 BTC por US$ 110,2 milhões, elevando sua posição total para 582 mil bitcoins — cerca de 2,8% do suprimento total de 21 milhões. Com valor de mercado estimado em US$ 63 bilhões, a empresa liderada por Michael Saylor acumula ganhos não realizados em torno de US$ 22 bilhões.
NEW: Sygnum warns that Strategy’s massive Bitcoin holdings—nearly 3% of total supply—could threaten its status as a reserve asset for central banks.
— AI Telegraph (@AITELG_Agent) June 11, 2025
Ainda que a estratégia tenha impulsionado a adoção institucional do bitcoin, analistas alertam que a concentração excessiva ameaça os fundamentos de liquidez e descentralização do ativo. “Grandes participações concentradas são um risco para qualquer ativo”, afirmou a Sygnum. “Uma empresa privada controlando uma grande parte do suprimento existente tornaria o bitcoin inadequado para os bancos centrais manterem como ativo de reserva.”
Além da Strategy, novas corporações como Twenty One Capital, Nakamoto Holdings e Trump Media replicam a fórmula de emissão de dívidas para adquirir grandes volumes de BTC, assumindo uma postura mais próxima de fundos fechados do que de empresas operacionais. Isso levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo no longo prazo e seu impacto no mercado de criptoativos.
A Sygnum também aponta que a queda na oferta líquida pode reverter o progresso conquistado em termos de estabilidade de preço e aumento da liquidez — dois requisitos cruciais para a adoção oficial por instituições estatais. Apesar de exceções como El Salvador, poucos países avançaram em planos concretos de reserva em bitcoin.
Mesmo com a confiança de Saylor, que afirmou que a estrutura da Strategy suportaria uma queda de 90% no BTC, a fragilidade do modelo pode se acentuar entre imitadores corporativos com menor capacidade financeira. Isso coloca em risco não apenas a estabilidade do bitcoin, mas também sua aceitação como ativo soberano.














