- Santander estuda lançamento de stablecoin em euro e dólar
- Banco busca licença MiCA para criptoativos na UE
- Openbank deve liderar serviços de Bitcoin para varejo
O Banco Santander SA, líder em capitalização de mercado na Europa continental, está avaliando ampliar sua atuação no setor de criptomoedas por meio do lançamento de stablecoins e de novos serviços para o varejo. A estratégia será conduzida pela sua plataforma digital Openbank, que já iniciou o processo de obtenção das licenças exigidas pelo Regulamento de Mercados de Criptoativos (MiCA) da União Europeia.
A instituição considera a criação de stablecoins lastreadas em euro e dólar, com possibilidade de desenvolver tokens próprios ou integrar opções já existentes. Esse movimento depende da autorização dos órgãos reguladores, mas poderá posicionar o banco em um mercado que recentemente ultrapassou os US$ 250 bilhões em capitalização.
A proposta surge em um momento de crescente adoção de stablecoins em países da América Latina, como Brasil, Argentina e México, onde o Santander possui presença relevante. Nessas regiões, moedas digitais como USDT e USDC são cada vez mais usadas como proteção contra a inflação e para facilitar transferências internacionais.
Para atender o segmento varejista europeu, o Santander planeja implementar esses serviços via Openbank. A meta é alcançar mercados como Espanha, Alemanha, Portugal e Holanda ainda em 2025, caso as licenças sejam aprovadas dentro do cronograma previsto.
O interesse do banco pelas criptomoedas e pela tecnologia blockchain não é recente. O Santander foi pioneiro no uso de blockchain para pagamentos internacionais no Reino Unido, tendo lançado em 2019 um aplicativo baseado em Ripple para transferências no mesmo dia. Além disso, por meio de seu braço de venture capital, a instituição já investiu em empresas do setor como Ripple e Digital Asset Holdings.
Mais recentemente, o braço de investimentos do banco, o Santander Corporate & Investment Banking, utilizou a plataforma Kinexys Digital Assets do JPMorgan para realizar operações de financiamento com ativos tokenizados, reforçando seu comprometimento com a integração da blockchain no sistema financeiro tradicional.
Desde a entrada em vigor das regulamentações da MiCA (Markets in Crypto-Assets) na União Europeia, grandes instituições financeiras do continente intensificaram suas iniciativas com criptomoedas. A movimentação sinaliza uma adoção mais estruturada de ativos digitais no sistema bancário tradicional.
O BBVA, tradicional rival do Santander, recebeu em março autorização para ofertar serviços de criptomoedas ao público varejista na Espanha. A iniciativa marca a ampliação de suas operações no setor, que já incluem clientes na Suíça e na Turquia. A decisão do BBVA reforça a tendência de integração dos serviços bancários convencionais com o mercado de criptoativos.
Paralelamente, o Société Générale, por meio de sua subsidiária SG Forge, prepara o lançamento de uma stablecoin lastreada em dólar norte-americano. O ativo digital será emitido na blockchain pública Ethereum, com a ambição de posicionar o banco como o primeiro de alcance global a lançar uma stablecoin em rede descentralizada.
Além disso, outras instituições também estão se organizando para oferecer soluções similares. O DWS Group, a Flow Traders e a Galaxy Digital, esta última ligada ao Deutsche Bank, uniram forças para criar uma stablecoin atrelada ao euro. Essa colaboração entre grupos financeiros tradicionais e empresas focadas em ativos digitais indica uma convergência cada vez maior entre os dois mundos.
Com a nova legislação da MiCA trazendo clareza regulatória, os bancos europeus demonstram crescente interesse em explorar oportunidades nas blockchains públicas, especialmente com stablecoins, que servem como ponto de entrada mais seguro e regulado para serviços financeiros descentralizados.
Esse avanço das stablecoins emitidas por bancos tradicionais mostra uma adaptação do setor financeiro às exigências dos mercados e dos reguladores, mantendo a competitividade frente ao avanço das plataformas nativas do setor cripto. A iniciativa também reflete um movimento estratégico para oferecer novas formas de liquidez, compliance e inovação no ecossistema digital.













