- Partidos de esquerda pedem suspensão do Discord no Brasil
- Discord foi usado para planejar ataque em show de Lady Gaga
- Histórico inclui bloqueios de Telegram e X no país
Partidos de esquerda no Brasil estão pressionando o Ministério Público Federal (MPF) pelo bloqueio do Discord, após a polícia revelar que a plataforma foi usada para planejar um atentado terrorista frustrado durante o show gratuito da cantora Lady Gaga, realizado em 3 de maio na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A operação “Monstro Falso”, conduzida pela Polícia Federal em quatro estados, cumpriu 15 mandados de busca e identificou nove suspeitos envolvidos no plano. Segundo as autoridades, os criminosos pretendiam utilizar explosivos improvisados e coquetéis molotov para atacar participantes do evento, com foco em crianças, adolescentes e integrantes da comunidade LGBTQ+.
O deputado Guilherme Boulos (PSOL), um dos líderes da oposição, enviou um pedido formal ao MPF solicitando a suspensão do Discord no Brasil. “CHEGA! Não vamos ficar de braços cruzados esperando que tragédias aconteçam”, publicou o parlamentar no X. Ele argumenta que o Discord atua sem representação legal plena no país, dificultando a aplicação das leis brasileiras sobre moderação de conteúdo e combate ao discurso de ódio.
CHEGA! Não vamos ficar de braços cruzados esperando as tragédias acontecerem.
Entrei com pedido de suspensão do Discord no Brasil até que se adeque à legislação do nosso país. pic.twitter.com/r9albFhRPT— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) May 6, 2025
Na mesma linha, o deputado Reimont (PT) reforçou o apelo, enviando um requerimento à Procuradoria-Geral da República para que medidas sejam tomadas contra o Discord e o fórum 4chan. Ambos são apontados como plataformas utilizadas para disseminar discursos extremistas e planejar crimes violentos.
O Discord afirmou que já cancelou as contas envolvidas e que possui representação legal no Brasil, por meio do escritório Licks Attorneys, com atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Casos semelhantes já ocorreram no país. O X, antigo Twitter, foi suspenso entre agosto e outubro de 2024, após se recusar a cumprir decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal. O Telegram também foi bloqueado em 2022 e 2023 por não colaborar com investigações sobre desinformação e grupos neonazistas.
O episódio reacende o debate sobre a atuação das plataformas digitais e os limites de sua responsabilidade diante das leis brasileiras.














