- Esquema Ponzi com criptomoedas lesou 20 mil brasileiros
- Braiscompany prometia retorno mensal com Bitcoin
- Justiça ordena reembolso parcial de US$ 6,2 milhões
A Justiça Federal do Brasil sentenciou três indivíduos envolvidos em um esquema Ponzi com criptomoedas, conhecido como Braiscompany, a um total de 170 anos de prisão. Estima-se que o golpe tenha causado prejuízos de aproximadamente US$ 190 milhões a pelo menos 20 mil investidores em todo o país.
Os réus Joel Ferreira de Souza, Gesana Rayane da Silva e Victor Augusto Veronez de Souza foram apontados como responsáveis por atrair vítimas com promessas de retornos mensais entre 10% e 15% sobre investimentos em Bitcoin. A acusação destacou que o grupo operava sob aparência de legitimidade, utilizando uma fachada empresarial para promover o suposto serviço financeiro.
As autoridades afirmaram que a Braiscompany estruturou um modelo de negócio típico de pirâmide financeira, no qual antigos participantes eram pagos com o dinheiro de novos investidores. A plataforma também se apoiava em estratégias agressivas de marketing nas redes sociais, em que membros chegavam a criar laços pessoais com as vítimas antes de apresentarem as “oportunidades” de investimento.
Ferreira de Souza foi identificado como o principal articulador da operação, usando a estrutura da Braiscompany para sustentar o golpe. Além das penas de prisão, os réus foram condenados a ressarcir US$ 6,2 milhões às vítimas. As investigações seguem ativas, com a polícia empenhada na recuperação de parte dos valores desviados em ativos digitais.
O caso ganhou atenção nacional não apenas pelo valor envolvido, mas também pela tentativa da Braiscompany, em 2021, de silenciar críticas públicas por meio de ações judiciais. Na ocasião, a empresa processou uma firma de análise de investimentos que havia classificado sua operação como suspeita de ser uma pirâmide. Apesar da tentativa de censura, a Justiça considerou legítima a cobrança por provas de operação regular da Braiscompany.
A condenação reforça a necessidade de fiscalização contínua em plataformas que oferecem investimentos em criptomoedas, especialmente diante do crescimento de produtos voltados a esse mercado por bancos e corretoras no Brasil.














