- China bloqueia GNL dos EUA com tarifa de 49%
- Empresas chinesas buscam mais gás natural da Rússia
- Interrupção pressiona exportadores dos EUA e preços globais
A China interrompeu totalmente as importações de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos desde fevereiro, marcando um novo capítulo nas tensões comerciais entre os dois países e afetando diretamente os fluxos globais de energia. Desde a chegada de um navio com origem no Texas à província de Fujian, nenhum outro carregamento norte-americano foi descarregado em portos chineses.
A decisão se intensificou após a aplicação de uma tarifa de 15% sobre o GNL dos EUA, que subiu para 49% pouco tempo depois. Com isso, o custo do combustível se tornou pouco atrativo para compradores chineses. Um navio programado para seguir rumo à China acabou redirecionando sua rota para Bangladesh, ilustrando o impacto imediato da medida.
Essa suspensão remete a um bloqueio anterior ocorrido durante o governo Trump, mas agora os analistas acreditam que as consequências podem ser mais profundas, afetando inclusive o financiamento de novos projetos de exportação na América do Norte. Para Anne-Sophie Corbeau, especialista em energia da Universidade de Columbia, “não creio que os importadores chineses de GNL venham a contratar qualquer novo GNL dos EUA”.
Apesar de as empresas chinesas ainda manterem contratos de longo prazo com fornecedores americanos — com validade até 2049 — a participação dos EUA no total das importações chinesas de GNL vem diminuindo. Em 2023, representou apenas 6%, uma queda em relação aos 11% registrados dois anos antes.
Com as tarifas tornando o GNL dos EUA praticamente inacessível, especialistas como Richard Bronze, da Energy Aspects, preveem uma redistribuição nos fluxos comerciais globais. A possível redução na demanda da Ásia pode ainda pressionar para baixo os preços do gás na Europa.














