- Federal Reserve mantém juros pela quarta reunião seguida
- Inflação elevada afasta expectativa de corte de juros
- Mercado monitora impacto nos ativos e Bitcoin
O Federal Reserve decidiu manter as taxas de juros inalteradas pela quarta reunião consecutiva em 2026, reforçando uma postura mais cautelosa diante da persistência da inflação nos Estados Unidos. A decisão foi aprovada de forma unânime pelos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), algo que não acontecia desde meados do ano passado.
Com a taxa básica permanecendo entre 3,5% e 3,75%, o banco central americano sinalizou que ainda não vê espaço para flexibilizar a política monetária. Pelo contrário, as projeções mais recentes mostram que uma parcela crescente dos dirigentes considera a possibilidade de novos aumentos dos juros antes que eventuais cortes sejam discutidos nos próximos anos.
A atualização das estimativas representa uma mudança importante em relação às previsões divulgadas em março. Na ocasião, parte dos membros do Fed indicava a possibilidade de redução das taxas em 2026. Desde então, no entanto, a combinação de um mercado de trabalho mais resiliente e da aceleração da inflação alterou o cenário econômico.
Entre os 18 dirigentes que apresentaram projeções para os juros, oito defendem a manutenção da taxa atual ao longo deste ano. Outros três projetam um aumento, enquanto cinco esperam dois ajustes para cima. Um integrante avalia que poderão ser necessários até quatro aumentos.
O comunicado divulgado após a reunião também trouxe alterações relevantes. O Federal Reserve retirou trechos que sugeriam que o próximo movimento da instituição poderia ser um corte de juros. Em vez disso, a autoridade monetária destacou que a economia continua crescendo em ritmo considerado sólido, apesar das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços da energia.
“O comitê garantirá a estabilidade de preços”, disseram as autoridades em comunicado.
As novas projeções indicam que a inflação cheia poderá atingir 3,6%, acima dos 2,7% estimados anteriormente. Já a inflação subjacente, que exclui componentes mais voláteis, foi revisada para 3,3%.
Os dados mais recentes do índice de preços ao consumidor (CPI) mostraram avanço anual de 4,2% em maio, o maior nível em três anos. No núcleo do indicador, a taxa alcançou 2,9%, permanecendo acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.
O índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), acompanhado de perto pela instituição, também segue pressionado. A medida subjacente registrou 3,3% em abril e as expectativas apontam para nova alta em maio.
Além da inflação, o Federal Reserve revisou suas projeções para a atividade econômica. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida para 2,2%, enquanto a taxa de desemprego passou a ser estimada em 4,3%.
A reunião marcou ainda a estreia de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve. O encontro foi acompanhado de perto pelos mercados globais, incluindo investidores de Bitcoin e criptomoedas, que monitoram os próximos passos da política monetária americana devido à influência direta das taxas de juros sobre a liquidez e o apetite por risco nos mercados financeiros.












