- Bitcoin acumula queda de 27% em 2026
- Ouro recua e acompanha fraqueza do BTC
- Rotação favorece ações e reduz busca por proteção
O Bitcoin (BTC) e o ouro vivem um momento incomum em 2026. Os dois ativos, tradicionalmente associados à preservação de valor e à proteção contra períodos de incerteza econômica, aparecem entre os piores desempenhos do ano entre as principais classes de investimento.
Dados divulgados pelo analista de mercado Charlie Bilello mostram que o Bitcoin acumula desvalorização de 27% no ano, enquanto o ouro registra queda de 3%. A combinação chama atenção porque, desde 2011, nunca os dois ativos haviam ocupado simultaneamente as últimas posições entre os principais mercados globais em um mesmo ano.
O contraste se torna ainda mais evidente diante da força observada em outros segmentos. O índice S&P 500 apresenta avanço próximo de 9% em 2026, enquanto as ações de pequena capitalização acumulam ganhos de 19%. As ações classificadas como valor também registram desempenho positivo, com alta de 15%, acompanhadas pelos mercados emergentes.
A diferença de comportamento sugere uma mudança importante na alocação de capital. Em vez de buscar ativos considerados reservas de valor, investidores têm direcionado recursos para setores com crescimento acelerado de receitas e lucros, especialmente o setor de tecnologia.
O histórico recente torna o movimento ainda mais relevante. Em 2025, o ouro encerrou o ano com valorização superior a 63%, após já ter avançado mais de 26% em 2024. O Bitcoin, por sua vez, registrou retorno de 121% em 2024 e continua sendo um dos ativos mais rentáveis da história dos mercados financeiros.
Desde 2011, o BTC acumula valorização superior a 21 milhões por cento, com retorno anualizado acima de 120%. No mesmo período, o ouro entregou ganhos próximos de 179%, números que reforçam a relevância dos dois ativos apesar do desempenho negativo observado neste ano.
Segundo Bilello, parte dessa movimentação está ligada à forte liderança das empresas de tecnologia. Desde as mínimas registradas em março, o setor apresentou desempenho 28% superior ao S&P 500, marcando um dos maiores desvios já observados na história do mercado americano.
Atualmente, as empresas de tecnologia representam quase 40% da composição do S&P 500, percentual superior ao registrado durante o auge da bolha da internet no início dos anos 2000.
Mesmo com a pressão acumulada ao longo de 2026, o Bitcoin mostrou recuperação recente. A principal criptomoeda voltou a ser negociada acima de US$ 66 mil e chegou a ultrapassar US$ 67 mil pela primeira vez em duas semanas após notícias sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
Enquanto isso, o ouro permanece próximo de US$ 4.300 por onça troy. Embora a queda anual seja menor do que a registrada pelo BTC, o desempenho representa uma mudança relevante para um ativo que passou os últimos anos operando próximo de máximas históricas.














