- Hoskinson explica uso de 1.096 BTC da Cardano
- Auditoria da venda inicial gera questionamentos públicos
- Governança da ADA segue sob escrutínio em 2026
O fundador da Cardano, Charles Hoskinson, voltou a comentar uma das discussões mais debatidas pela comunidade ADA após esclarecer o destino de 1.096 BTC provenientes da fase inicial de financiamento coletivo do projeto. A declaração ocorreu durante uma sessão pública de perguntas e respostas, na qual também foram abordados temas relacionados à governança da rede, gestão de comunidades e planos futuros para os canais oficiais de comunicação.
A controvérsia envolve a venda coletiva realizada entre outubro de 2015 e janeiro de 2017. Na época, a iniciativa arrecadou aproximadamente 108.844 BTC para financiar o desenvolvimento da Cardano. Segundo Hoskinson, parte desse montante, equivalente a 1.096 BTC, foi destinada a uma fundação registrada na Ilha de Man, responsável por atividades jurídicas e operacionais ligadas aos primeiros passos do projeto.
O tema ganhou força após questionamentos feitos por Thomas Braziel, fundador da 117 Partners. O investidor solicitou esclarecimentos detalhados sobre o motivo da transferência e a utilização dos recursos, levantando dúvidas sobre a estrutura financeira adotada naquele período.
Durante sua explicação, Hoskinson afirmou que a origem da despesa está documentada em uma comunicação enviada por Michael Parsons, então presidente da iniciativa. De acordo com ele, o pedido estava relacionado à remuneração de profissionais envolvidos na auditoria da venda coletiva.
“O preço de fechamento do Bitcoin em 13 de março de 2016 foi de US$ 414. Isso equivale a cerca de US$ 400.000 para três auditores”, disse Hoskinson.
Segundo o executivo, os recursos foram destinados ao pagamento de três revisores independentes: Michael Parsons, John McGuire e Bruce Milligan. Ele também argumentou que o valor real da operação é inferior ao que muitos críticos sugerem atualmente ao considerar a valorização posterior do Bitcoin.
Hoskinson acrescentou que as cobranças recorrentes por explicações acabam consumindo tempo e recursos que poderiam ser direcionados ao desenvolvimento do ecossistema. Na avaliação dele, novas respostas frequentemente geram novos questionamentos, sem encerrar a discussão.
Mesmo após os esclarecimentos, Braziel afirmou que a explicação apresentada não solucionou as dúvidas existentes. Em publicação nas redes sociais, ele defendeu a divulgação de documentos que comprovem a contratação dos auditores e a execução dos pagamentos.
“Se essa for a explicação, o próximo passo é simples: publicar as faturas, os contratos, as aprovações e os registros de pagamento.”
O investidor também contestou os cálculos apresentados, argumentando que uma eventual auditoria poderia ter ocorrido em um período posterior, quando o Bitcoin já negociava em valores mais elevados. Para ele, “os números simplesmente não batem”.
A discussão ocorre em um momento de intenso debate dentro da comunidade Cardano. Paralelamente às questões financeiras, a equipe do projeto trabalha em um plano para migrar parte de sua comunidade ADA para o Discord. Além disso, decisões recentes relacionadas ao orçamento da Fundação Cardano passaram a receber maior fiscalização pública.
O processo de aprovação de propostas também tem chamado atenção dos participantes da rede, especialmente após apenas uma parcela dos pedidos receber sinal verde no novo modelo de governança. Outro tema que ampliou o debate foi o cancelamento da Cúpula de Singapura de 2026, depois que um pedido de US$ 7,8 milhões do Tesouro da ADA relacionado ao evento não obteve aprovação.












