- Nasdaq cai quase 4% após forte relatório de empregos
- Federal Reserve ganha espaço para elevar juros em 2026
- Bitcoin recua e acompanha aversão ao risco global
As bolsas de valores dos Estados Unidos operam em forte queda nesta sexta-feira, após a divulgação de um relatório de empregos acima das expectativas do mercado. Os números reforçaram a percepção de que o Federal Reserve poderá manter uma postura mais rígida em relação aos juros, pressionando principalmente as ações de tecnologia e fabricantes de semicondutores.
O movimento de vendas atinge os principais índices de Wall Street. Durante o pregão, o Dow Jones Industrial Average recuava 1,13%, aos 50.981,54 pontos. O S&P 500 caía 2,38%, para 7.404,16 pontos, enquanto o Nasdaq Composite liderava as perdas com queda de 3,89%, sendo negociado em 25.786,23 pontos.
A pressão também alcançava empresas de menor capitalização. O Russell 2000 registrava desvalorização de 3,39%, aos 2.835,69 pontos. Ao mesmo tempo, o índice de volatilidade VIX, conhecido como o “termômetro do medo” de Wall Street, avançava 24,43%, para 19,16 pontos, indicando aumento da cautela entre os investidores.
O gatilho para a forte correção veio do relatório de empregos de maio. A economia norte-americana criou 172 mil vagas no período, superando com folga a projeção dos economistas, que esperavam cerca de 88 mil novos postos de trabalho. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, sugerindo que o mercado de trabalho continua resiliente apesar das condições monetárias mais apertadas.
Embora os dados indiquem uma economia ainda aquecida, eles também reduzem as expectativas de flexibilização monetária no curto prazo. Com a inflação permanecendo acima da meta, investidores passaram a precificar com mais intensidade a possibilidade de um aumento dos juros pelo Federal Reserve até o final do ano.
A leitura do mercado ocorre mesmo diante dos pedidos do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por cortes nas taxas de juros. O debate sobre os próximos passos da política monetária também ganha relevância com a expectativa em torno da liderança de Kevin Warsh no banco central americano.
No setor de tecnologia, a realização de lucros continuava intensa. As ações da Broadcom permaneciam sob pressão após resultados que provocaram novas avaliações sobre o ritmo de crescimento do segmento de inteligência artificial.
A Nvidia recuava mais de 4% durante o pregão. Outras fabricantes de chips também registravam perdas expressivas, com Micron, AMD e Intel caindo mais de 8%. O desempenho do setor ampliava a rotação de capital para áreas consideradas mais defensivas do mercado.
A busca por proteção, no entanto, não impedia perdas em outras classes de ativos. O ouro recuava 3,62%, sendo negociado a US$ 4.342,10. O petróleo Brent também operava em baixa, com queda de 1,95%, para US$ 93,18 por barril.
No mercado de criptomoedas, o Bitcoin acompanhava o movimento global de aversão ao risco. A maior criptomoeda do mundo era negociada a US$ 59.453, acumulando desvalorização de 6,69% no dia. A queda ocorre em meio ao fortalecimento das expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos, fator que costuma reduzir o apetite dos investidores por ativos de maior risco.
Enquanto isso, investidores seguem monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã. O cessar-fogo considerado frágil e os relatos de conversas paralisadas continuam adicionando incerteza aos mercados, apesar das declarações de Trump de que as negociações estão em seus estágios “finais”.














