- ETFs de bitcoin acumulam 11 dias seguidos de saídas.
- Bitcoin recua quase 4% e testa suporte importante.
- Investidores institucionais reduzem exposição ao mercado.
Os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos ampliaram a sequência de retiradas de capital e chegaram ao 11º pregão consecutivo de saídas líquidas. O movimento ocorre após um mês de maio marcado por fortes resgates, indicando que investidores institucionais continuam adotando uma postura mais cautelosa diante das condições macroeconômicas atuais.
Dados recentes mostram que os fundos registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 483,8 milhões na segunda-feira. A maior parte desse volume veio do IBIT, da BlackRock, responsável por cerca de US$ 440,3 milhões em retiradas. Entre os ETFs monitorados, apenas o MSBT, do Morgan Stanley, apresentou saldo positivo, recebendo cerca de US$ 6,14 milhões em novos aportes.
Com o resultado mais recente, os ETFs de bitcoin acumulam cerca de US$ 3,45 bilhões em saídas líquidas ao longo dos últimos 11 pregões. A tendência prolonga o desempenho negativo registrado em maio, quando os fundos encerraram o mês com retiradas de aproximadamente US$ 2,43 bilhões, o maior volume mensal de saídas desde novembro de 2025.
Segundo Andri Fauzan Adziima, chefe de pesquisa do Bitrue Research Institute, a combinação de inflação persistente, rendimentos elevados dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e expectativas reduzidas para cortes nas taxas de juros ajudou a pressionar os fluxos dos ETFs.
“As saídas de US$ 2,43 bilhões de ETFs em maio foram causadas pelo aumento da inflação, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro e pelo arrefecimento das esperanças de cortes nas taxas de juros”, disse.
De acordo com o analista, a redução das expectativas de melhora econômica levou parte das instituições a migrar recursos para outros segmentos do mercado financeiro. Entre os setores que vêm atraindo maior interesse estão empresas ligadas à inteligência artificial, consideradas por alguns investidores como alternativas mais atrativas neste momento.
“As saídas de capital contínuas, que já duram 10 dias consecutivos, apontam para uma clara fraqueza do mercado”, disse Adziima. “Serei direto: isso reflete uma cautela institucional persistente e uma pressão de venda constante. É um sinal de baixa no curto prazo e aumenta o risco de novas quedas.”
Enquanto isso, o bitcoin também registrou forte pressão vendedora. A principal criptomoeda do mercado era negociada em torno de US$ 69.926,82, acumulando uma queda de quase 4% nas últimas 24 horas. O recuo ocorreu em meio à deterioração do sentimento entre investidores e ao aumento da busca por ativos considerados menos expostos à volatilidade.
Além das preocupações macroeconômicas, analistas destacam que as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã contribuíram para elevar a aversão ao risco nos mercados globais. Outro fator que chamou a atenção foi a recente venda de BTC realizada pela Strategy, movimento que gerou debates sobre o comportamento de grandes detentores da criptomoeda.
“O anúncio da MicroStrategy sobre a possível venda de Bitcoins foi mal cronometrado e gerou um sentimento negativo significativo”, disse Adziima. “Isso prejudicou a narrativa corporativa de ‘comprar e manter’ e acelerou a recente queda.”
Apesar do momento de fraqueza, o analista observou que o fluxo negativo dos ETFs não representa necessariamente uma rejeição ao bitcoin. Na avaliação dele, o movimento atual está mais relacionado a uma estratégia de redução de risco por parte das instituições do que a uma mudança estrutural na percepção sobre a maior criptomoeda do mercado.












