- Circle bloqueia USDC após disputa judicial na DeFi.
- Congelamento de ativos afeta usuários do protocolo Zama.
- Processo envolve USDC, Overnight Finance e governança DeFi.
O mercado de criptomoedas acompanhou neste fim de semana um caso que reacendeu o debate sobre o poder de congelamento de ativos da Circle. A empresa bloqueou aproximadamente US$ 12,6 milhões em USDC vinculados ao contrato cUSDC da Zama, uma infraestrutura de privacidade baseada na rede Ethereum.
O bloqueio ocorreu após uma ordem judicial relacionada a uma disputa envolvendo a Overnight Finance, protocolo DeFi que se tornou alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos. Embora a Zama não seja parte direta do processo, seu contrato acabou sendo impactado porque recebeu fundos que estão no centro da controvérsia.
Segundo documentos apresentados à Justiça, investidores que possuem o token OVN acusam Maxim Ermilov, fundador da Overnight Finance, de transferir mais de US$ 15 milhões que estariam associados ao tesouro do protocolo. A ação sustenta que os detentores do token haviam iniciado um processo de governança para liquidar o tesouro e distribuir os recursos proporcionalmente.
Os autores alegam que, pouco antes da votação alcançar maioria, cerca de US$ 15,77 milhões foram movimentados para novos endereços. Desse total, aproximadamente US$ 12,5 milhões em USDC teriam sido direcionados ao sistema de USDC confidencial da Zama.
Ermilov contestou as acusações e afirmou que os participantes da votação não possuíam autoridade para determinar a distribuição dos recursos. Segundo ele, o token OVN concede apenas direitos de governança sobre contratos inteligentes e operações do protocolo.
“Eles não tinham o direito de votar daquela forma”, disse Ermilov. “OVN não é um valor mobiliário, portanto não há direito a lucros ou distribuições de qualquer natureza”.
O executivo também negou que as carteiras citadas no processo fossem efetivamente carteiras de tesouraria. De acordo com sua versão, os fundos continham receitas da equipe, rendimentos de estratégias DeFi e receitas operacionais do protocolo.
Ao justificar a transferência para o sistema da Zama, Ermilov afirmou que o objetivo era proteger informações financeiras sensíveis.
Questionado sobre a movimentação, ele declarou que a medida buscava “ocultar os saldos do público em geral para minimizar os riscos à segurança pessoal”.
A situação chamou atenção porque o congelamento não atingiu apenas o endereço contestado. Como o contrato cUSDC reúne depósitos de diferentes usuários, todo o conjunto de fundos ficou temporariamente indisponível.
Rand Hindi, cofundador e CEO da Zama, informou que a empresa não recebeu aviso prévio da Circle e iniciou uma investigação interna sobre o caso.
“Como o wrapper cUSDC ainda não tinha muita utilidade, havia muito poucos fundos nele e, como resultado, a grande maioria (>99%) dos fundos no contrato cUSDC veio do depósito daquele único hacker”, escreveu Hindi.
O executivo acrescentou que os contratos cUSDC, cUSDT e cWETH serão suspensos temporariamente enquanto a equipe identifica todos os endereços relacionados ao caso.
“Também é realmente inútil para hackers tentarem usar a Zama para ocultar seus rastros, pois não somos uma intermediária e não ocultamos o remetente e o destinatário, apenas os saldos e valores”, escreveu Hindi.
O episódio amplia a discussão sobre a capacidade de emissores de stablecoins como o USDC de congelarem fundos mediante decisões judiciais. Críticos argumentam que a prática pode atingir terceiros sem relação direta com disputas legais, enquanto defensores afirmam que a ferramenta é necessária para impedir a movimentação de recursos contestados em processos judiciais.












