- Inflação do Japão desacelera e afeta juros do BOJ
- Iene fraco amplia pressão sobre economia japonesa em 2026
- Banco do Japão avalia taxa de juros após novos dados
A inflação subjacente do Japão desacelerou mais do que o esperado em abril e atingiu o menor nível desde março de 2022. O resultado reduziu parte da pressão sobre o Banco do Japão para antecipar uma nova alta na taxa de juros, enquanto investidores acompanham os próximos passos da política monetária do país.
O núcleo da inflação japonesa, que exclui alimentos frescos, ficou em 1,4%. O dado veio abaixo da projeção de 1,7% feita por economistas consultados pela Reuters e também inferior aos 1,8% registrados no mês anterior.
A inflação cheia também desacelerou para 1,4%, abaixo dos 1,5% observados em março. Com isso, o indicador permaneceu pelo quarto mês seguido abaixo da meta oficial de 2% estabelecida pelo Banco do Japão.
Outro dado monitorado de perto pela autoridade monetária, conhecido como inflação “núcleo-núcleo”, que desconsidera alimentos e energia, caiu de 2,4% para 1,9%. O movimento reforçou a percepção de que a pressão inflacionária interna perdeu intensidade nas últimas semanas.
Os preços de energia registraram queda de 3,9% em abril, após retração de 5,7% em março. O comportamento do setor ocorreu em meio às tensões envolvendo o Irã e à volatilidade no mercado internacional de petróleo.
Após a divulgação dos números, o índice Nikkei 225 abriu em alta de 0,96%, liderando os ganhos entre os principais mercados asiáticos. Ao mesmo tempo, o iene apresentou leve enfraquecimento diante do dólar, sendo negociado na faixa de 159,03.
Na reunião de abril, o Banco do Japão havia elevado sua projeção de inflação subjacente de 1,9% para 2,8%, citando o impacto do petróleo mais caro e a transferência dos custos para consumidores pelas empresas japonesas.
Os novos dados também surgem em meio à discussão sobre possíveis medidas de estímulo fiscal. Segundo a emissora NHK, parlamentares da oposição defenderam um pacote de 3 trilhões de ienes, incluindo extensão de subsídios para combustíveis e redução nas contas de energia elétrica.
O Japão ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao iene fraco. Entre o fim de abril e o início de maio, o governo japonês teria utilizado cerca de 10 trilhões de ienes em intervenções cambiais para tentar conter a desvalorização da moeda.
Mesmo com a inflação mais moderada, analistas avaliam que uma alta de juros ainda permanece no radar. A economia japonesa cresceu 2,1% em termos anualizados no primeiro trimestre de 2026, resultado acima das expectativas do mercado e sustentado principalmente pelo avanço das exportações.














