- Banco da Inglaterra reconsidera limite para stablecoins em libra
- Mercado de stablecoins pode atingir US$ 2 trilhões
- Regras britânicas sobre criptomoedas enfrentam pressão do setor
O Banco da Inglaterra está reavaliando algumas das propostas mais rígidas para stablecoins após críticas da indústria de criptomoedas e preocupações sobre a competitividade do Reino Unido no mercado global de ativos digitais.
A mudança de postura ganhou força depois que Sarah Breeden, vice-governadora para Estabilidade Financeira da instituição, admitiu que o banco central pode ter adotado uma abordagem excessivamente cautelosa ao criar as regras para stablecoins lastreadas em libra esterlina.
Em entrevista ao Financial Times, Breeden afirmou que o Banco da Inglaterra estuda alternativas para os limites de posse e para as exigências de reservas impostas aos emissores. Segundo ela, a instituição está analisando modelos menos restritivos diante das críticas recebidas durante o período de consulta pública encerrado em fevereiro de 2026.
A proposta apresentada no fim de 2025 previa um teto de £20 mil para pessoas físicas manterem em stablecoins ligadas à libra esterlina. Já empresas poderiam possuir até £10 milhões nesses ativos digitais.
Além disso, os emissores seriam obrigados a manter pelo menos 40% das reservas diretamente no Banco da Inglaterra, sem remuneração. O restante poderia ser aplicado em títulos soberanos e instrumentos considerados altamente líquidos.
Dados do próprio banco central mostraram que o limite de £20 mil afetaria cerca de 94% dos consumidores. Na prática, os usuários poderiam manter aproximadamente 2,1 vezes a renda mensal média em stablecoins.
No setor corporativo, empresas de criptomoedas argumentaram que o teto de £10 milhões dificultaria operações de tesouraria e pagamentos em larga escala. O setor também alertou que regras mais duras poderiam incentivar empresas a migrarem atividades para outras jurisdições.
Atualmente, as stablecoins lastreadas em libra representam menos de 0,5% do mercado global. Mesmo assim, reguladores enxergam potencial para utilização desses ativos em pagamentos digitais e infraestrutura financeira.
Segundo dados da CoinGecko, o mercado global de stablecoins já movimenta cerca de US$ 318 bilhões. O segmento continua dominado por ativos atrelados ao dólar, principalmente USDT, da Tether, e USDC, da Circle.
Enquanto isso, outras regiões seguem ampliando estruturas regulatórias para criptomoedas. Nos Estados Unidos, a Lei GENIUS estabeleceu uma estrutura federal voltada aos emissores de stablecoins. Na União Europeia, o regulamento MiCA está em vigor desde 2024.
Breeden reconheceu que parte das exigências foi baseada em cenários de estresse observados durante eventos como o colapso do Silicon Valley Bank. Ainda assim, ela admitiu que o Banco da Inglaterra avalia se algumas dessas premissas foram conservadoras além do necessário.













