- Banco da Inglaterra critica regras das stablecoins dos EUA
- Stablecoins em dólar geram preocupação regulatória no Reino Unido
- Lei GENIUS amplia tensão global sobre criptomoedas
O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que reguladores globais devem enfrentar uma “iminente disputa” com os Estados Unidos sobre as regras envolvendo stablecoins. A declaração aumenta a tensão entre autoridades europeias e o governo americano sobre o papel dessas moedas digitais no sistema financeiro internacional.
Durante uma conferência sobre desequilíbrios financeiros organizada pelo banco central britânico, Bailey destacou que as stablecoins só poderão operar globalmente com padrões regulatórios comuns entre diferentes países.
“Se quisermos que as stablecoins façam parte da arquitetura de pagamentos globalmente… elas só funcionarão se tivermos padrões internacionais”, disse Bailey.
O dirigente, que também preside o Conselho de Estabilidade Financeira, apontou preocupação com a estrutura de algumas stablecoins americanas. Segundo ele, determinados tokens atrelados ao dólar dependem de corretoras de criptomoedas para conversão em moeda fiduciária, o que poderia dificultar resgates em momentos de crise.
Bailey alertou que uma eventual corrida por resgates poderia provocar migração em massa para países com regras mais rígidas de conversibilidade. “Sabemos o que aconteceria se houvesse uma corrida por uma stablecoin — todas elas apareceriam aqui”, afirmou.
A posição do Banco da Inglaterra acompanha uma estratégia regulatória mais rígida do Reino Unido. Desde 2025, Bailey defende que grandes bancos priorizem depósitos tokenizados em vez da criação de stablecoins próprias. Atualmente, seis grandes bancos britânicos participam de um projeto piloto envolvendo depósitos digitais em libra esterlina.
Enquanto isso, os Estados Unidos seguem ampliando sua estrutura pró-stablecoins. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, sancionou a Lei GENIUS em julho de 2025, criando diretrizes para emissão de stablecoins lastreadas em dólar.
A legislação americana exige reservas integrais e relatórios mensais de transparência, mas não obriga emissores a oferecer resgate direto sem intermediários. Já a proposta britânica prevê exigências adicionais para liquidez imediata, incluindo reservas mantidas no Banco da Inglaterra e títulos públicos de curto prazo.
O banco central britânico também avalia impor limites de posse para stablecoins sistêmicas em libra esterlina. A proposta inicial previa teto de 20 mil libras para pessoas físicas e 10 milhões de libras para empresas, embora autoridades tenham sinalizado possíveis revisões após críticas do setor.
As declarações de Bailey ocorreram no mesmo dia em que Christine Lagarde voltou a criticar o avanço das stablecoins. A presidente do Banco Central Europeu afirmou que até moedas digitais atreladas ao euro podem ameaçar a estabilidade financeira e reduzir a eficácia da política monetária.
O debate agora deve ganhar força dentro do FSB, órgão responsável por recomendações internacionais sobre estabilidade financeira. Apesar disso, as diretrizes emitidas pelo conselho não possuem caráter obrigatório, enquanto os EUA demonstram pouca disposição para adaptar sua política de criptomoedas a modelos multilaterais.













