- Trump ameaça Irã com bombardeios em maior intensidade
- Acordo de paz pode reabrir Estreito de Ormuz
- Petróleo cai após avanço nas negociações EUA-Irã
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã nesta quarta-feira ao afirmar que o país poderá sofrer bombardeios “em um nível muito maior” caso não aceite um acordo de paz negociado com Washington.
A declaração foi publicada na rede Truth Social em meio às discussões sobre um possível entendimento para encerrar o conflito que já dura mais de dois meses. Segundo Trump, a chamada Operação Epic Fury poderá ser encerrada caso Teerã aceite os termos propostos pelos Estados Unidos.
O presidente afirmou que, caso o acordo seja fechado, o bloqueio naval americano aos portos iranianos no Golfo de Omã poderá ser suspenso, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz para o trânsito internacional, incluindo embarcações iranianas.
Mas o republicano também reforçou o tom militar. “se eles não chegarem a um acordo, os bombardeios começam e, infelizmente, serão em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, declarou.
As falas ocorreram pouco depois de surgirem informações de que EUA e Irã estariam próximos de assinar um memorando de entendimento com 14 pontos para estabelecer uma trégua e criar uma estrutura para futuras negociações diplomáticas.
De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira, Washington aguarda uma resposta oficial de Teerã nas próximas 48 horas sobre pontos considerados essenciais para o avanço do acordo.
Os mercados reagiram rapidamente às notícias. Os índices acionários registraram alta, enquanto os preços do petróleo caíram após investidores interpretarem o possível acordo como um fator de redução das tensões no Oriente Médio.
Em entrevista à PBS News, Trump afirmou que a guerra tem uma “chance muito boa de terminar”, mas acrescentou: “se não terminar, teremos que voltar a bombardeá-los sem dó nem piedade”.
Durante um evento do Dia das Mães com famílias de militares, Trump declarou que representantes iranianos demonstraram interesse em encerrar o conflito.
“Estamos lidando com pessoas que querem muito fechar um acordo, e veremos se elas conseguem ou não chegar a um acordo que seja satisfatório para nós”, afirmou.
O governo iraniano respondeu com cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, declarou que Teerã ainda avalia os termos apresentados pelos mediadores.
The concept of “negotiations” requires, at the very least, a genuine attempt to engage in discussions with a view to resolving the dispute (ICJ, Judgement of 1 April 2011, para. 157). It needs 'good faith', then, meaning that 'negotiations' is not 'disputation'; nor is it…
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) May 6, 2026
Em publicação na rede X, Baqaei escreveu: “O conceito de ‘negociações’ exige, no mínimo, uma tentativa genuína de iniciar discussões com vistas à resolução da disputa”.
Ele também afirmou que “É preciso ‘boa-fé’, portanto, o que significa que ‘negociações’ não é ‘disputa’; nem é ‘ditadura’, ‘engano’, ‘extorsão’ ou ‘coerção’”.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu com o chanceler chinês Wang Yi para discutir apoio diplomático e cooperação estratégica entre os dois países.
Segundo informações divulgadas sobre o memorando em negociação, o possível acordo inclui uma moratória iraniana no enriquecimento nuclear, suspensão parcial de sanções dos EUA e redução das restrições no Estreito de Ormuz.
Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde 7 de abril, confrontos isolados seguem aumentando a tensão militar na região, principalmente nas rotas marítimas ligadas ao transporte global de petróleo.












