- Stablecoins geram impasse no projeto de lei cripto
- Bancos rejeitam rendimento em stablecoins nos EUA
- Lei cripto pode atrasar por disputa com bancos
A disputa em torno do rendimento das stablecoins voltou a ganhar força nos Estados Unidos e pode comprometer o avanço do projeto de lei que busca estabelecer regras para o mercado de criptomoedas. De acordo com análise do banco TD Cowen, a resistência coordenada do setor bancário elevou o nível de incerteza sobre a aprovação da proposta ainda em 2026.
Entidades que representam instituições financeiras de diferentes portes formalizaram oposição a uma tentativa de acordo recente. Mesmo com ajustes, o texto permitiria que plataformas de criptomoedas oferecessem recompensas associadas ao uso de stablecoins em transações, o que não agradou aos bancos.
Na avaliação de Jaret Seiberg, diretor do Washington Research Group da TD Cowen, a união entre grandes e pequenos bancos fortalece a posição do setor. “Uma frente unida dá ao setor bancário mais influência nessa luta. É por isso que acreditamos que não é uma conclusão óbvia que as criptomoedas vencerão essa batalha e os bancos perderão”.
O executivo destacou que não há, até o momento, um caminho que atenda ambos os lados. “Não vemos um meio-termo que satisfaça os bancos e as principais plataformas de criptomoedas, pois acreditamos que algumas plataformas desejam continuar pagando rendimentos para incentivar os investidores de varejo a manterem sua liquidez em suas carteiras de criptomoedas. Isso é inaceitável para os bancos”.
Além disso, Seiberg aponta que os bancos contam com uma vantagem regulatória relevante. Regras em discussão no Gabinete do Controlador da Moeda, dentro da chamada Lei GENIUS, podem limitar o pagamento de rendimentos para a maioria das stablecoins.
O cronograma legislativo também pressiona o andamento do projeto. “Essa disputa pode adiar a votação para junho”, afirmou. “Nossa opinião continua sendo que o recesso de agosto é o prazo final para a aprovação deste projeto de lei”.
Enquanto isso, o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, reforçou a urgência do tema. “Sinceramente, se isso não acontecer, acho que a probabilidade de aprovação cairá drasticamente, porque se chegar às eleições de meio de mandato, será uma questão muito delicada”. Ele ainda acrescentou: “E depois das eleições, no outono, acho que a probabilidade de o assunto ser retomado será ainda menor”.
Outros fatores também pesam contra o avanço da proposta, incluindo entraves regulatórios, disputas políticas e preocupações com o uso internacional das criptomoedas, ampliando a complexidade do debate no Congresso americano.












