- ETH congelado Arbitrum entra em disputa judicial internacional
- Credores Coreia do Norte miram fundos ligados ao Lazarus
- Votação DeFi United enfrenta risco legal sobre indenização
Um tribunal federal de Nova York adicionou incerteza ao plano da Arbitrum DAO de compensar vítimas após o ataque de US$ 292 milhões à Kelp DAO, ocorrido no mês passado. A disputa gira em torno de 30.766 ETH, avaliados em cerca de US$ 71 milhões, atualmente congelados pelo Conselho de Segurança da rede.
Em 1º de maio, advogados de credores notificaram a Arbitrum DAO com uma ordem judicial que impede a movimentação desses fundos. O bloqueio foi comunicado por meio de um fórum da comunidade, após autorização do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York.
Os autores da ação não têm ligação direta com o ataque à Kelp DAO. Eles representam vítimas de casos antigos envolvendo a Coreia do Norte, com decisões judiciais ainda não cumpridas. A tese apresentada afirma que os valores em ETH, supostamente roubados pelo Grupo Lazarus, seriam propriedade vinculada ao regime norte-coreano.
A ação foi apresentada pelo escritório Gerstein Harrow LLP, em nome de cidadãos americanos ligados ao caso do reverendo Kim Dong-shik, sequestrado e morto por agentes norte-coreanos. Apenas esse processo resultou em uma sentença de cerca de US$ 330 milhões. Somando outros casos citados, o total supera US$ 877 milhões, sem contar juros acumulados.
A base jurídica envolve leis dos EUA que permitem a apreensão de ativos de países classificados como patrocinadores do terrorismo. Os advogados sustentam que grupos como o Lazarus atuam como extensão do Estado norte-coreano, o que abriria espaço para o bloqueio dos ativos.
Enquanto isso, a comunidade da Arbitrum segue com a votação da proposta DeFi United, iniciada em 30 de abril. O plano, apoiado por entidades como Aave Labs e outras plataformas, prevê o uso dos fundos congelados para restaurar o lastro do token rsETH.
Mais de 99% dos votos são favoráveis até agora. A proposta inclui o envio dos valores para uma carteira multisig, gerida por participantes do ecossistema, com foco na recuperação dos prejuízos.
A medida, porém, enfrenta críticas diante da nova ordem judicial. O investigador ZachXBT comentou: “Este é um escritório de advocacia americano predatório com uma estratégia puramente maligna”.
Já o desenvolvedor banteg defendeu que a DAO poderia ignorar a decisão, argumentando que os fundos têm origem comprovada e pertencem às vítimas diretas do ataque.
O caso levanta dúvidas sobre a responsabilidade individual de participantes da DAO e cria um precedente relevante para disputas envolvendo criptos rastreados entre hackers e credores internacionais.














