- Apple remove Bitchat por regras da China
- App descentralizado enfrenta censura chinesa
- Bitchat segue ativo fora da China
A Apple retirou da App Store chinesa o Bitchat, aplicativo de mensagens descentralizado criado por Jack Dorsey, após pressão regulatória das autoridades locais.
A decisão foi tomada depois que a Administração do Ciberespaço da China (CAC) apontou que o aplicativo não estava em conformidade com as regras do país, especialmente no que diz respeito ao controle de conteúdo e segurança digital.
Dorsey confirmou a remoção em uma publicação na rede social X, destacando que a medida não afeta a disponibilidade do aplicativo em outros países. O bloqueio, no entanto, impede novos downloads na China continental.
bitchat pulled from the china app store pic.twitter.com/jrrd0gDrA9
— jack (@jack) April 5, 2026
Segundo as autoridades, o Bitchat violou o Artigo 3 das diretrizes locais, que exige avaliações de segurança para serviços que possam influenciar a opinião pública ou mobilizar usuários em larga escala. A regra também se aplica a plataformas que crescem rapidamente ou introduzem novas funcionalidades com impacto social relevante.
A CAC atua como principal órgão regulador da internet no país, sendo responsável por supervisionar conteúdos digitais e aprovar serviços online, incluindo aqueles relacionados a informações financeiras e notícias internacionais.
Apesar da remoção da loja da Apple, o aplicativo continua funcionando para usuários que já o possuem instalado. Isso ocorre porque o Bitchat opera com tecnologia peer-to-peer baseada em conexões Bluetooth, permitindo comunicação direta sem depender da infraestrutura tradicional da internet.
Esse modelo descentralizado foi justamente um dos fatores que chamaram a atenção das autoridades chinesas. O funcionamento fora dos sistemas convencionais dificulta o controle e a moderação de conteúdo, ponto central da política digital do país.
Além disso, usuários ainda podem acessar o aplicativo por meio de dispositivos Android ou diretamente pelo site do projeto, embora essas alternativas enfrentem limitações dentro do ambiente restrito da China.
Descrito inicialmente como um “projeto de fim de semana”, o Bitchat evoluiu para uma ferramenta de código aberto com aplicações práticas em cenários como protestos e situações de emergência, onde a comunicação tradicional pode falhar.
Sua arquitetura segue princípios semelhantes aos das criptomoedas, com foco em descentralização, ausência de intermediários e resistência a falhas centralizadas, o que reforça seu apelo em ambientes com restrições digitais rígidas.













