- Saída de criptomoedas cresce com arbitragem global
- Investidores buscam exchanges internacionais e liquidez
- Regulação coreana impacta mercado de criptomoedas
A Coreia do Sul registrou cerca de US$ 60 bilhões em saídas de criptomoedas para plataformas no exterior no segundo semestre de 2025, segundo dados divulgados pela Comissão de Serviços Financeiros (FSC). O movimento ocorreu mesmo com o aumento da participação doméstica, indicando uma mudança relevante no comportamento dos investidores.
De acordo com o relatório, o volume total de capital transferido alcançou 90 trilhões de won, alta de 14% frente ao semestre anterior. Parte dessas movimentações está associada a estratégias de arbitragem, nas quais investidores aproveitam diferenças de preços entre mercados locais e internacionais.
Além disso, cresce a busca por maior liquidez fora do país. Exchanges estrangeiras oferecem acesso a derivativos, maior variedade de ativos e estruturas mais competitivas, fatores que atraem investidores que desejam ampliar suas operações.
Mesmo com a saída de capital, o número de usuários no mercado sul-coreano continuou em alta. O total de contas em exchanges chegou a 11,1 milhões no fim de 2025, avanço de 3%. Os depósitos também subiram 31%, atingindo 8,1 trilhões de won, sinalizando que o interesse do varejo permanece ativo.
Por outro lado, as corretoras locais enfrentaram queda significativa na rentabilidade. O lucro operacional combinado das 18 plataformas registradas caiu 38% no período, enquanto o volume médio diário de negociações recuou 15%, para 5,4 trilhões de won.
A desaceleração do mercado global também influenciou esse cenário. Após o pico registrado em outubro de 2025, quando o Bitcoin se aproximou de US$ 126 mil, os preços passaram por estabilização. Tensões geopolíticas e a postura mais restritiva do Federal Reserve contribuíram para pressionar ativos de risco.
Outro fator relevante está nas regras locais mais rígidas. Exchanges sul-coreanas operam com exigências como verificação de identidade e restrições à participação estrangeira, o que pode limitar a liquidez em comparação com plataformas globais.
Carteiras privadas também têm ganhado espaço, permitindo maior controle dos ativos fora de ambientes centralizados. Esse movimento reduz a visibilidade para reguladores e amplia o desafio de monitoramento.
Com a continuidade dessas saídas, as corretoras locais podem ser pressionadas a diversificar serviços, incluindo custódia e soluções institucionais. Ao mesmo tempo, autoridades indicam que devem reforçar a supervisão sobre transferências internacionais, buscando equilibrar controle regulatório e competitividade do mercado.














