- JPMorgan acusado de facilitar esquema Ponzi de criptomoedas
- Ação coletiva envolve fraude de US$ 328 milhões
- Investidores alegam falhas de monitoramento bancário
O banco JPMorgan Chase enfrenta uma ação coletiva nos Estados Unidos sob acusações de ter fornecido a infraestrutura bancária usada em um suposto esquema Ponzi de criptomoedas que movimentou cerca de US$ 328 milhões. A denúncia foi apresentada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia.
O processo foi protocolado por Robby Alan Steele, que afirma representar mais de 2.000 investidores afetados. Segundo o documento, o JPMorgan teria atuado como a única instituição bancária utilizada pela Goliath Ventures entre janeiro de 2023 e meados de 2025.
Steele afirma ter perdido aproximadamente US$ 650 mil no esquema. Desse total, US$ 310 mil teriam sido investidos diretamente em dinheiro, enquanto outros US$ 340 mil vieram de saques feitos de sua conta de aposentadoria 401(k), já após o pagamento de impostos.
🚨BREAKING: JPMorgan Is Being SUED Over $328 MILLION Crypto FRAUD 🤯🔥
A new class-action lawsuit claims @jpmorgan helped process money tied to an alleged $328 MILLION crypto fraud run through Goliath Ventures. 👀
According to the complaint, about $253 MILLION allegedly moved… https://t.co/cjFyj7IIa1 pic.twitter.com/2Zhuy54AoM
— Diana (@InvestWithD) March 12, 2026
De acordo com a denúncia, a Goliath promovia oportunidades de investimento chamadas de “acordos de joint venture”. A empresa prometia retornos elevados com estratégias de negociação e arbitragem envolvendo criptomoedas.
No entanto, promotores federais alegam em um processo criminal separado que a operação funcionava como um esquema Ponzi clássico. Nesse modelo, recursos de novos participantes são utilizados para pagar supostos lucros a investidores anteriores.
O CEO da empresa, Christopher Delgado, foi preso pelas autoridades dos EUA em 24 de fevereiro.
Registros bancários citados no processo indicam que cerca de US$ 253 milhões foram depositados na conta identificada como JPMC 0305, mantida pela Goliath no Chase entre 2023 e 2025.
Desse montante, aproximadamente US$ 123 milhões teriam sido transferidos para carteiras digitais mantidas na Coinbase, descrita na denúncia como uma “parceira estratégica” do JPMorgan em uma cooperação encerrada entre 2022 e 2025.
Além disso, cerca de US$ 50 milhões foram enviados a investidores como supostos retornos financeiros. Segundo os autores da ação, esses pagamentos não resultavam de negociações reais com criptomoedas, mas sim de depósitos feitos por novos participantes.
“O Chase tinha conhecimento efetivo e auxiliou substancialmente o esquema Ponzi de criptomoedas da Goliath”, diz a denúncia. “Do ponto de vista de um banco, o esquema fraudulento era óbvio. Um esquema fraudulento dessa magnitude não pode ser executado secretamente por meio de um único banco. E, neste caso, não foi.”
A ação também afirma que o banco ignorou diversos sinais de alerta que poderiam indicar fraude. Entre eles estariam movimentações rápidas de recursos, mistura de depósitos de investidores e transferências entre contas relacionadas ao CEO da empresa.
Segundo o processo, tais padrões normalmente seriam identificados por sistemas de prevenção à lavagem de dinheiro utilizados por instituições financeiras.
“O Chase tinha conhecimento e anunciou publicamente as frequentes fraudes e esquemas financeiros associados às criptomoedas”, afirma o documento.
A denúncia cita ainda declarações do CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, feitas ao longo dos últimos anos. Em 2017, ele chamou o Bitcoin de “uma fraude”, enquanto em comentários feitos em 2024 no Fórum Econômico Mundial descreveu o Bitcoin como uma “ pedra de estimação ”.
O processo aponta que o banco utiliza a plataforma Actimize, baseada em inteligência artificial e análise de dados, para monitorar atividades suspeitas. Mesmo assim, segundo os autores da ação, as contas da Goliath continuaram operando normalmente durante o período investigado.
Entre os pedidos apresentados na ação coletiva estão acusações de cumplicidade em fraude, negligência, enriquecimento ilícito e violação da legislação de concorrência desleal da Califórnia.
Os autores também solicitam indenização, restituição de valores e julgamento por júri para as acusações que permitem esse tipo de avaliação judicial.













