- Japão libera petróleo estratégico para conter alta da gasolina
- Conflito no Oriente Médio pressiona preços globais do petróleo
- Estreito de Ormuz afeta importações e segurança energética
O Japão anunciou que começará a liberar petróleo bruto de suas reservas estratégicas a partir da próxima segunda-feira, em uma tentativa de conter a escalada dos preços da gasolina e do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. A medida foi confirmada nesta quarta-feira pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que destacou a necessidade de proteger consumidores e empresas diante das pressões no mercado global de energia.
Segundo o governo japonês, a iniciativa busca reduzir o impacto que possíveis interrupções no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico podem causar na economia do país. O aumento das tensões na região e as recentes ações militares envolvendo o Irã elevaram o risco de interrupções no transporte marítimo de petróleo.
A estratégia prevê inicialmente a liberação de petróleo equivalente a 15 dias de reservas mantidas por empresas privadas. Na sequência, será disponibilizado um volume adicional correspondente a um mês proveniente dos estoques controlados diretamente pelo governo japonês.
“Vamos rever as medidas de apoio de forma flexível para garantir o alívio contínuo ao público, mesmo que a situação se prolongue”, disse Takaichi a jornalistas em Tóquio.
A decisão chama atenção por marcar a primeira vez que o Japão utiliza suas reservas estratégicas de forma independente, sem aguardar uma ação coordenada da Agência Internacional de Energia (AIE). O país mantém estoques de emergência desde 1978 justamente para enfrentar momentos de crise no fornecimento global de energia.
A dependência energética do Japão em relação ao Golfo Pérsico continua elevada. Mais de 90% das importações de petróleo bruto japonesas têm origem em países da região, o que torna o país particularmente vulnerável a qualquer interrupção no fluxo de navios que atravessam o Estreito de Ormuz.
De acordo com Takaichi, há projeções de que os embarques de petróleo possam sofrer uma queda significativa até o final de março. Caso o cenário se confirme, o mercado doméstico poderia enfrentar escassez de gasolina e de outros derivados refinados.
Os preços nas bombas já mostram sinais de pressão. Dados recentes do Ministério da Indústria indicam que o valor médio da gasolina no país se aproximou de 162 ienes por litro na última segunda-feira, acima dos cerca de 155 ienes registrados em meados de janeiro.
Autoridades japonesas trabalham com estimativas de que o preço possa ultrapassar 200 ienes por litro caso o fornecimento continue restrito. Para evitar esse cenário, o governo pretende usar recursos públicos para limitar o valor ao redor de 170 ienes por litro.














