- Mastercard integra criptos com 85 parceiros globais
- Pagamentos com stablecoins crescem e desafiam redes tradicionais
- Infraestrutura conecta bancos e empresas ao mercado de criptomoedas
A Mastercard anunciou um novo programa global que reúne mais de 85 empresas ligadas ao setor de criptomoedas com o objetivo de desenvolver infraestrutura para pagamentos internacionais, transferências entre empresas e liquidações financeiras mais rápidas. A iniciativa marca uma das maiores movimentações da gigante de pagamentos no ecossistema de ativos digitais.
Chamado de Crypto Partner Program, o projeto conecta exchanges, emissores de moedas digitais, provedores de carteiras e empresas de infraestrutura blockchain. O objetivo é construir uma rede interoperável capaz de integrar sistemas financeiros tradicionais ao mercado de criptomoedas.
BREAKING: Mastercard launches a Crypto Partner Program, bringing together 85 crypto companies to develop cross-border transfers, B2B payments and global payouts. pic.twitter.com/t2tO1N0K0s
— SwanDesk (@SwanDesk) March 11, 2026
O lançamento ocorre em um momento em que o uso de stablecoins cresce rapidamente no setor de pagamentos globais. Somente em fevereiro de 2026, o volume de transações com stablecoins alcançou cerca de US$ 1,26 trilhão, com o USDC respondendo por aproximadamente 70% dessa atividade.
Os números mostram uma expansão expressiva desse segmento. Em 2025, as transferências anuais com stablecoins ultrapassaram US$ 27,6 trilhões, valor que supera o volume combinado das redes tradicionais de pagamento operadas por Visa e Mastercard.
Outro indicador relevante envolve os cartões vinculados a stablecoins. Os gastos por meio desses cartões atingiram US$ 4,5 bilhões em 2025, um salto de 673% em comparação ao ano anterior. Já os pagamentos entre empresas utilizando stablecoins alcançaram aproximadamente US$ 226 bilhões anuais, refletindo um crescimento de mais de 700%.
A base tecnológica do programa está na Multi-Token Network (MTN), uma plataforma desenvolvida pela Mastercard para permitir liquidação em tempo real utilizando diferentes tipos de ativos digitais. Essa infraestrutura permite que instituições financeiras tradicionais e empresas do setor de criptomoedas operem dentro da mesma rede de pagamentos.
O banco JPMorgan Chase já está conectado à MTN para operações envolvendo stablecoins, o que reforça o interesse institucional nessa nova infraestrutura financeira. A proposta é permitir que empresas em diferentes regiões realizem pagamentos internacionais em segundos, eliminando os atrasos comuns no sistema bancário tradicional, que ainda pode levar de três a cinco dias para concluir uma transferência.
A estratégia também mira o mercado global de remessas, que movimenta mais de US$ 800 bilhões por ano. Com taxas frequentemente elevadas e processos lentos, esse setor é visto como uma oportunidade para soluções baseadas em blockchain e criptomoedas.
Ao mesmo tempo, a competição entre as grandes redes de pagamento se intensifica. A Visa também expandiu suas iniciativas envolvendo stablecoins e já processou cerca de US$ 3,5 bilhões em liquidações até novembro de 2025, além de ampliar a disponibilidade desses serviços para mais de 40 países.
Enquanto isso, o próprio mercado de stablecoins passa por diversificação. O RLUSD, ligado ao ecossistema da Ripple, ultrapassou US$ 1 bilhão em circulação, enquanto o SoFiUSD atingiu o mesmo patamar em março de 2026. Ainda assim, o USDC permanece como o principal ativo desse segmento.
Com valor de mercado próximo de US$ 460 bilhões, a Mastercard aposta que a integração entre criptomoedas e sistemas de pagamento tradicionais pode abrir novas fontes de receita. Caso o volume de gastos com cartões vinculados a stablecoins alcance entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões anuais nos próximos anos, a empresa poderá consolidar uma nova camada de serviços financeiros conectados ao mercado de criptomoedas.













