- Petróleo perto de US$120 derruba mercados asiáticos hoje
- Alta histórica do petróleo pressiona ações e criptomoedas
- Tensão no Oriente Médio impulsiona petróleo e vendas globais
Os mercados de ações asiáticos registraram fortes perdas nesta segunda-feira, refletindo a disparada no preço do petróleo e o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A valorização da commodity intensificou o movimento de aversão ao risco e provocou uma onda de vendas nas principais bolsas da região.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi liderou as quedas após recuar mais de 8%, o que levou à ativação de um mecanismo automático de interrupção de negociações pela segunda vez em apenas quatro sessões. A pausa de cerca de 20 minutos ocorreu por volta das 10h31 no horário local, quando o índice atingiu o limite que aciona o circuito de proteção do mercado.
Entre os papéis mais pressionados estavam gigantes da tecnologia. As ações da Samsung Electronics caíram mais de 10%, enquanto a fabricante de semicondutores SK Hynix registrou recuo de aproximadamente 11,6%. O setor de chips, altamente sensível ao cenário global, acabou ampliando o movimento de queda no índice sul-coreano.
A tensão nos mercados ganhou força após a disparada dos contratos futuros de petróleo. O West Texas Intermediate (WTI) chegou a subir 27,78%, atingindo US$ 119,04 por barril. Já o petróleo Brent avançou cerca de 30%, alcançando US$ 118,46.
Esse salto representa a maior alta diária do petróleo desde o final da década de 1980, segundo dados de mercado. O movimento ocorreu após grandes produtores do Oriente Médio — incluindo Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos — reduzirem a produção depois do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de energia.
Outros mercados asiáticos também sentiram o impacto da disparada da commodity. No Japão, o índice Nikkei 225 caiu 6,48%, rompendo a marca de 53.000 pontos pela primeira vez desde o início de fevereiro. O índice Topix também registrou queda significativa, recuando cerca de 5,8%.
Empresas ligadas ao setor de tecnologia figuraram entre as maiores perdas no Japão. A SoftBank caiu mais de 11%, enquanto companhias relacionadas à indústria de semicondutores, como Advantest e Lasertec, registraram quedas superiores a 10% e 9%, respectivamente.
Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 recuou 4,15%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu cerca de 3%, enquanto o CSI 300 da China continental registrou queda próxima de 2%.
A pressão também atingiu os mercados ocidentais. Os futuros das ações dos Estados Unidos apontaram para uma abertura negativa, com o Dow Jones Industrial Average recuando mais de 800 pontos, o equivalente a cerca de 1,75%. Já os futuros do S&P 500 caíram 1,59%, enquanto o Nasdaq-100 registrou queda de aproximadamente 1,6%.
Em meio ao aumento das tensões geopolíticas, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a alta do petróleo nas redes sociais, afirmando que o aumento temporário da commodity seria aceitável diante do contexto militar envolvendo o Irã.
“Só os tolos pensariam diferente!”, acrescentou Trump.
A disparada do petróleo e a queda nas bolsas globais ampliam o clima de cautela entre investidores e também costumam influenciar ativos de risco, incluindo o mercado de criptomoedas, que frequentemente reage a mudanças bruscas no ambiente macroeconômico.














