- Petróleo acima de US$ 100 com tensão no Estreito de Ormuz
- Conflito com Irã reduz produção e pressiona mercados globais
- Alta do petróleo aumenta pressão sobre Bitcoin e criptomoedas
Os preços do petróleo dispararam no domingo e voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, após cortes de produção em países do Oriente Médio ligados ao conflito com o Irã. A escalada ocorre em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de energia.
O barril do petróleo WTI registrou forte valorização e chegou a subir cerca de 17%, ou US$ 15,32, alcançando US$ 106,22. Já o Brent, referência internacional do mercado, também avançou e foi negociado próximo de US$ 106,92.
O movimento amplia a pressão sobre os mercados globais. Na semana passada, o petróleo americano acumulou uma valorização próxima de 35%, o maior avanço semanal desde o início da série histórica do mercado futuro, em 1983. A última vez que os preços superaram a marca de US$ 100 foi em 2022, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Pouco depois da abertura do pregão no domingo à noite, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a escalada nos preços em sua rede Truth Social. Segundo ele, o impacto nos custos de energia seria temporário diante do conflito com o Irã.
“Só os tolos pensariam diferente!”, escreveu Trump, ao afirmar que um aumento nos “preços do petróleo a curto prazo” seria um “preço muito pequeno a pagar” para eliminar a ameaça nuclear iraniana.
Enquanto isso, grandes produtores do Golfo começaram a reduzir sua produção. O Kuwait anunciou cortes preventivos em sua extração e nas operações de refinarias devido a ameaças contra navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. A estatal Kuwait Petroleum Corporation não detalhou o tamanho das reduções.
No Iraque, segundo maior produtor da OPEP, a produção dos três maiores campos petrolíferos do sul caiu cerca de 70%. O volume passou de aproximadamente 4,3 milhões para 1,3 milhão de barris por dia após o início da guerra.
Os Emirados Árabes Unidos também indicaram ajustes na produção offshore, enquanto mantêm as operações em terra funcionando normalmente. Autoridades afirmaram que os níveis estão sendo administrados para lidar com limitações de armazenamento.
Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, petroleiros evitam navegar pela região por receio de ataques. A rota é responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo, tornando qualquer interrupção um fator imediato de pressão nos preços da energia.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o tráfego marítimo pode ser normalizado em algumas semanas. O secretário de Energia, Chris Wright, declarou que a retomada deve ocorrer após a redução da capacidade do Irã de ameaçar navios na região.
“Não vai demorar muito para vermos uma retomada mais regular do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz”, disse Wright à CNN. “Estamos longe do tráfego normal agora. Isso levará algum tempo. Mas, na pior das hipóteses, serão algumas semanas, não meses.”












